terça-feira, 6 de setembro de 2011

Notas sobre a Família Costa Ramos: família política do Cariri

Segundo Tarcízio Medeiros e Martinho Medeiros (1989, p. 14), as famílias de maior prestígio politico do Cariri[1] eram descendentes diretos da união entre o Capitão-mor Domingos de Farias Castro e Isabel Rodrigues de Oliveira[2] que viveram em Cabaceiras durante o século XVII[3].
A família que prevaleceu durante o Império foi os Costa Ramos.  O chefe da família durante o Segundo Império foi Elias Eliáco Eliseu da Costa Ramos. Foi Promotor Público entre 1863 e 1878, Curador Geral entre 1866 e 1878 e Juiz de Direito entre 1894 e 1895. Na política, assumiu o cargo de Deputado Provincial cinco vezes e ajudou a eleger para o mesmo cargo seu irmão e seu filho, o padre José Ambrósio e Abdias da Costa Ramos. Elias Eliáco chegou a assumir até mesmo a vice-presidência do Estado. Nota-se que a riqueza da família era predominantemente rural, pois este herdou as fazendas do Major Domingos da Costa Ramos, através do casamento com sua prima, filha do Major[4].  
Nota-se que todos os membros da família que tiveram cargos legislativos eram provenientes do poder judiciário, influência que perdurou até na República Velha. Como afirma Trigueiro (1982, p. 42):

Na Primeira República, a Paraíba foi um dos Estados em que era mais visível a confusão da magistratura com a política. Transitava-se facilmente de uma para outra, sendo praticado e tolerado, sem objeções, o exercício simultâneo de mandatos políticos e da atividade partidária com as funções da magistratura.

Um exemplo de político magistrado da família Ramos foi o caso de Abdias da Costa Ramos. Este foi juiz de Direito da Comarca de Soledade e de Monteiro, em 1904 foi juiz em Cuité. Foi deputado da Assembléia da Paraíba entre 1891 e 1892 e prefeito de São João do Cariri entre 1915 e 1922. A família Costa Ramos apoiava Álvaro Machado, e defendeu a oligarquia alvarista contra Artur Santa Cruz de Alagoa de Monteiro, que revoltado, buscou conquistar São João do Cariri pelas armas em 1912, para pressionar Hermes da Fonseca a depor João Machado[5] da presidência do Estado. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.261)
Abdias da Costa foi o último baluarte da família Ramos, seus filhos não seguiram carreira política, alguns migraram para o distrito do Congo, outros para Campina Grande[6] e outros para o Rio de Janeiro. Como Epitácio Pessoa passou a ser chefe supremo do PRCP, este reformulou o partido e instituiu delegados em cada município do Estado. Em São João do Cariri Epitácio Pessoa escolheu José Gaudêncio Correia de Queiroz (CAMINHA, 1989, p.205). Aos poucos Abdias da Costa cedeu o poder para a família Gaudêncio.
O nome Gaudêncio passou a ser capital simbólico da família devido a influência de José Gaudêncio na política do Estado durante a oligarquia epitacista. Antes dele, ao observarmos a genealogia política dos Gaudêncio, o último que obtivera uma carreira política foi José da Costa Romeu em meados do século XVIII. José Gaudêncio levou a família à política e destituiu os Costa Ramos do domínio de São João do Cariri.


[1] Destacam-se os Farias Castro, Castro Farias, Farias Cavalcante, Brandão, Barros Leira, Romeu, Costa Ramos (tronco que originou os Costa Brito),  Correia de Queiroz (tronco que originou os Gaudêncio) e Sousa Varjão.
[2] Isabel Rodrigues de Oliveira era filha de Pascácio de Oliveira Ledo. Os Oliveira Ledo foram as famílias que conquistaram o sertão paraibano durante o século XVIII.
[3] Sobre a conquista do Cariri, ver dissertação de Entre a Pré-História e a História: em busca de uma cultura histórica sobre os primeiros habitantes do Cariri Paraibano de Adriana Machado Pimentel de Oliveira (2009).
[4] Genro de José da Costa Romeu, herdeiro primordial de Domingos de Farias Castro. Assim, observamos que desde a conquista do Cariri, o capital simbólico (família) e o capital econômico (fazendas) foi passada por gerações na mesma família.
[5] Irmão de Álvaro Machado.
[6] Foi de Campina Grande que o marido da neta de Abdias Ramos, Rosil de Assis Cavalcante, compôs as músicas “Meu Cariri” e “Comadre Sebastiana” cantada por Luís Gonzaga. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.261)
[7] Neta do Capitão-mor Domingos de Farias Castro.
[8] José da Costa Romeu era português da região de Cheleiros, multiplicou os bens de seu sogro – Domingos de Farias Castro – e passou a ser o homem mais rico e poderoso do Cariri paraibano durante a primeira metade do século XVIII. Seus sobrinhos patrocinaram o petitório para a Instalação da Vila Nova da Rainha ser na povoação de Nossa Senhora dos Milagres do Cariri – atual São João do Cariri.  Mas o Ouvidor Andrada Brederodes por questões pessoais instalou na atual Campina Grande. José da Costa Romeu casou-se duas vezes e manteve parte da riqueza concentrada no seio familiar, nas mãos de seu primogênito. Tanto Brito quanto Gaudêncio são descendentes diretos de Costa Romeu.
[9] Nota-se que na 3° geração da família de Domingos de Farias Castro, a família Brito e a família Gaudêncio era a mesma. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.206)
 Paróquia de Nossa Senhora dos Milagres - São João do Cariri 

3 comentários:

  1. oq era aa familia costa na Idade Média?????

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  2. Os Costa aqui tratados são referentes ao Cariri paraibano descendente dos Faria Castro dos Trás-os-Montes de Portugal. Não possuímos dados sobre a mesma família na Idade Média!!!

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  3. Bom di agostaria de conseguir fotos do Pe. José Ambrosio da Costa Ramos

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