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segunda-feira, 15 de julho de 2013
Crítica e descrédito: Ciências Humanas e a longa distância da Sociedade
Há um distanciamento muito grande entre o pessoal de humanas e a sociedade, por incrível que pareça, a maioria do pessoal de humanas quer continuar na Universidade, no universo acadêmico e esquece seu papel utilitário, e quando uma coisa deixa de ser útil, perde validade, fica sem valor que nem as Ciências Humanas. Além disso há o menosprezo pelo saber que transforma a maioria dos formados em Ciências Humanas em analfabeto político a partir de cursos aligeirados onde sempre prevalece o “jeitinho brasileiro”. Mas a utilidade e a valorização das Ciências Humanas esta estampado na sociedade, é só observar as mazelas de nosso país e o número de analfabetos políticos que não refletem e nem se engajam, que como mesmo eu disse, desfilam nos pátios do pequeno universo das universidades onde produz um conhecimento medíocre para seus pares sem valor nenhum para a sociedade. Tem tanto tema e grupos de estudos por aí que pode ser comparado com a história da vinda do ET na cidade de Coxixola em 1819 enquanto somos enganados constantemente por viver em mundo de fantasia chamado Once upon a time.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
O que é política e para que serve?
Mas uma vez me
acho na necessidade de escrever sobre política devido a fatos lamentáveis
ocorridos na última eleição, não somente em Araruna, mas em todo o Nordeste e
não me arrisco e afirmar também no Brasil.
A ideia de
política da população interiorana ainda não desenvolveu nos parâmetros
democráticos de uma República que tem como regime político a democracia. Assim,
para desmitificar esta visão faz-se necessário dialogar sobre o que são três
conceitos que parecem simples, mas não são - política, eleições e democracia -,
daí alguns fazer uso deste conceito para ludibriar a cabeça de muita gente, que
vive sobre uma péssima educação escolar com professores maus remunerados o que
torna a profissão desvalorizada (feliz dia dos professores atrasado a todos
meus colegas).
Vamos aos conceitos. Faz de conta que um
(a) cabo eleitoral discute as ideias destes conceitos com um filósofo,
historiador e jurista, ou seja, um pensador que nem o velho Sócrates.
Cabo
eleitoral
– Como anda a política?
Pensador – Falha!
Percebo que muitos estão vendendo seus votos, ou seja, a sua liberdade.
Cabo eleitoral – Oxe! Acho que
o partido A que tem mais dinheiro vai ganhar então, e o senhor vai votar no
partido A? Olha que ele vai
ganhar!
Pensador – Meu voto é secreto, mas isto é política?
Cabo
eleitoral – Deixe-me explicar... Política é que nem um
jogo de futebol, tem seu Vacariano do partido “A” e a senhora Campolargo que é
do Partido “B”. Os dois são inimigos históricos e nunca se unem tudo que um faz
não presta pro outro. Seu Vacariano é cabra bom, estão na prefeitura por uns 20
anos revezando com os Campolargo, disputam ele, seus amigos donos das lojas.
Eles revezam na prefeitura e nunca saem, disputam até o último centavo nas
eleições, mas derrotam o inimigo. Deus me livre a senhora Campolargo ganhar,
dizem que guarda um diabinho dentro de uma garrafa.
Pensador
– Isso é política? Não creio! Pois desde a
Grécia Antiga política quer dizer convivência, união sobre uma mesma cidade,
que era chamada de pólis. Política é
vida, é uma coisa bela, é o que faz das pessoas animais sociáveis. Acho que
briga não é política, é safadeza.
Cabo
eleitoral – O senhor é doido... Ou não foi assim que o
seu Vacariano me ensinou... Mas o importante é o dinheiro que estou ganhando e
o senhor aí liso...
Pensador – Daí minha resposta de como anda a política, tá aí você
vendendo a sua liberdade e sua saúde, educação e moradia de qualidade.
Em outros
artigos eles continuaram o diálogo sobre eleições e democracia.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Sérgio Buarque de Holanda: a cordialidade brasileira
Hoje completa 100 anos do nascimento do historiador Sérgio Buarque de Holanda, um dos maiores nomes da Sociologia e da Historiografia brasileira. Pai do cantor Chico Buarque, Sérgio Buarque se destaca juntamente com Gilberto Freire e Caio Prado Junior como um dos maiores intérpretes da sociedade brasileira pós-1930.
Sua principal obra, Raízes do Brasil, foi publicada em 1936 e representa para o Brasil uma séria discussão sobre seu caráter político. Destaca-se a ideia de que o brasileiro foi marcado desde a colonização pela cordialidade:
"A cordialidade....a lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam com efeito um traço definitivo do caráter brasileiro..."
Esta mesma cordialidade é uma das mazelas da sociedade brasileira. Por se tratar sempre de tratamento cordial, principalmente na relação entre a população e os nobres, a sociedade brasileira se desenvolveu em favorecimento das classes dominantes, fato que foi criticado pelos comunistas e integralistas durante a publicação do livro. Daí a sociedade permitir a invasão do público pelo privado, fato que surgiu primeiramente com o poder dado as famílias que chegavam de Portugal.
Aqui entra o debate sobre o que é o público e o que é privado na consolidação política do Brasil. A maior contribuição de relevo para este debate veio da obra de Sérgio Buarque de Holanda. Para ele, a empresa colonial formada pela família patriarcal, propiciou “a invasão do público pelo privado, do Estado pela família”. (HOLANDA, 1995, p.82.) A família como empreendedor foi, assim como em Freyre, a base da formação político-social do Brasil. A ideia de Estado era a mesma de uma grande união familiar que dirigia uma grande empresa. Assim, a política e a economia determinaram o papel da família extensa:
O primeiro princípio da economia política é que o soberano de cada nação deve considerar-se como chefe ou cabeça de uma vasta família, e consequentemente amparar a todos que nela estão como seus filhos e cooperadores da geral felicidade.
Este modelo coloca a família no lugar do Estado, não sendo de se admirar que nosso Congresso possua tantas heranças familiais.
Vale salientar que para Holanda (1995, p.141), o Estado não era uma evolução da família como propunham os historiadores dos oitocentos, mas sim uma “descontinuidade” e até mesmo “uma oposição”. Isto devido a constante inter-relação entre público e privado. É com a transgressão do público pelo privado que o “empregado”, ou o sujeito que é classificado pela “amizade desigual”, passa a ser cidadão. Esse modelo de mudança que transforma a família patriarcal em família nuclear e, consequentemente, o poder familiar em poder do Estado, é resultado da expansão da produção industrial. Assim, o poder patriarcal com base rural perde poder com o crescimento das cidades, fruto das mudanças de trabalho. Temos assim, a família como “bárbara” em oposição ao Estado “civilizado”.
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