Mostrando postagens com marcador Coronelismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Coronelismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de outubro de 2012

O que é política e para que serve?





Mas uma vez me acho na necessidade de escrever sobre política devido a fatos lamentáveis ocorridos na última eleição, não somente em Araruna, mas em todo o Nordeste e não me arrisco e afirmar também no Brasil.
A ideia de política da população interiorana ainda não desenvolveu nos parâmetros democráticos de uma República que tem como regime político a democracia. Assim, para desmitificar esta visão faz-se necessário dialogar sobre o que são três conceitos que parecem simples, mas não são - política, eleições e democracia -, daí alguns fazer uso deste conceito para ludibriar a cabeça de muita gente, que vive sobre uma péssima educação escolar com professores maus remunerados o que torna a profissão desvalorizada (feliz dia dos professores atrasado a todos meus colegas).
Vamos aos conceitos. Faz de conta que um (a) cabo eleitoral discute as ideias destes conceitos com um filósofo, historiador e jurista, ou seja, um pensador que nem o velho Sócrates.

Cabo eleitoral – Como anda a política?
Pensador – Falha! Percebo que muitos estão vendendo seus votos, ou seja, a sua liberdade.
Cabo eleitoral – Oxe! Acho que o partido A que tem mais dinheiro vai ganhar então, e o senhor vai votar no partido A? Olha que ele vai ganhar!
Pensador – Meu voto é secreto, mas isto é política?
Cabo eleitoral – Deixe-me explicar... Política é que nem um jogo de futebol, tem seu Vacariano do partido “A” e a senhora Campolargo que é do Partido “B”. Os dois são inimigos históricos e nunca se unem tudo que um faz não presta pro outro. Seu Vacariano é cabra bom, estão na prefeitura por uns 20 anos revezando com os Campolargo, disputam ele, seus amigos donos das lojas. Eles revezam na prefeitura e nunca saem, disputam até o último centavo nas eleições, mas derrotam o inimigo. Deus me livre a senhora Campolargo ganhar, dizem que guarda um diabinho dentro de uma garrafa.
Pensador – Isso é política? Não creio! Pois desde a Grécia Antiga política quer dizer convivência, união sobre uma mesma cidade, que era chamada de pólis. Política é vida, é uma coisa bela, é o que faz das pessoas animais sociáveis. Acho que briga não é política, é safadeza.
Cabo eleitoral – O senhor é doido... Ou não foi assim que o seu Vacariano me ensinou... Mas o importante é o dinheiro que estou ganhando e o senhor aí liso...
Pensador – Daí minha resposta de como anda a política, tá aí você vendendo a sua liberdade e sua saúde, educação e moradia de qualidade.

Em outros artigos eles continuaram o diálogo sobre eleições e democracia.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Discursos e enigmas do Tiroteio de São José dos Cordeiros (1935)

1° Versão - A dos Brito!!!

            20 de agosto de 1935, o pequeno distrito de São José dos Cordeiros, situado na caatinga do Cariri Paraibano, estava em plena campanha eleitoral. Os correligionários de Tertuliano de Brito - primo do ex-interventor Gratuliano da Costa Brito – tinham acabado de chegar de Serra Branca, onde fizeram um comício. São José estava em festa, pois raramente este povoado recebia visitas de pessoas tão ilustres na vida política da região. Ocorria que em Serra Branca – distrito que estava em pleno desenvolvimento econômico devido aos recordes da safra de algodão – a família Brito tinha feito um discurso fervoroso contra família Gaudêncio, cheio de calúnias e humilhações. Os Gaudêncio se sentiram ofendidos e seguiram os rastros dos Brito até São José do Cordeiros. Quando lá chegaram, para cobrar respeito ao adversário, dispararam contra Tertuliano de Brito – no meio da festa - o que deu inicio a um árduo tiroteio, com baixas dos dois lados. Após o incidente, a população revoltada ateou fogo nas casas comerciais e nos armazéns de algodão das duas famílias. Um dos armazém de algodão queimou por semanas, e até hoje, a fumaça que subiu aos céus, está cravado na memória da população dos Cariris Velhos.

2° Versão - A dos Gaudêncio

20 de agosto de 1935, o pequeno distrito de São José dos Cordeiros, situado na caatinga do Cariri Paraibano, estava em plena campanha eleitoral. Os correligionários de Antero Torreão, cunhado dos irmãos Gaudêncio faziam um comício da chegada do ex-senador José Gaudêncio, anistiado do governo Vargas. Este feliz faz um discurso alegre por estar na terra que tanto amava. No meu do discurso um grito de Protesto. Um disparo e assim começou o tiroteio. O culpado foi o filiado dos Brito Líbio de Farias Castro que acabou morto ali mesmo por "aperto" de Oscar Torreão. Logo após a morte de Líbio, o professor Pascoal Trocoli, partidário da família Brito foi as ruas desafiar os Gaudêncio com a seguinte frase: “Atire aqui covardes”. Ascendino Gaudêncio ao escutar as provocações tomou determinada distância do professor e atirou certeiramente, o que ceifou a terceira vida no dia sangrento de São José dos Cordeiros. Na Igreja ao lado, o Padre Joaquim Gaudêncio rezava uma missa de batizado, muitos trocaram seus filhos no desespero. Logo após o incidente, Tertuliano Brito, justamente com sua milícia privada recuaram para São João do Cariri, quartel-general da família. Antes que a polícia estadual chegasse, os irmãos Durval e Oscar Torreão fugiram a cavalo para o município de Taperoá. Revoltada, a população ateou fogo na casa comercial e nos armazéns de algodão de Antero Torreão, pai de Oscar e Durval Torreão. Na memória da população, o salão de algodão pegou fogo por meses.

Duas versões!!!! Enigma na minha dissertação!!!!!!!

 Tertuliano Brito

 Os Gaudêncio


quinta-feira, 15 de março de 2012

Cinco Livros sobre o Coronelismo

Para quem gosta de trabalhar com este tema que as vezes nos dá muita raiva e de um ponto de vista cultural, nos dá muito prazer, indico aqui cinco livros essenciais para entender a natureza deste fenômeno político que ainda assola o interior do Brasil:

O primeiro é o clássico de Victor Nunes Leal, Coronelismo, Enxada e Voto. Comece por ele, pois este é citado em todos os outros livros:

 O segundo, trata-se de um capítulo da coleção História Geral da Civilização Brasileira, o volume 8. Lá está o artigo de Maria Isaura Pereira de Queiroz. O título do capítulo é O coronelismo numa interpretação sociológica.

O terceiro livro foi escrito por Marcos Vinicios Vilaça e Roberto Cavalcanti de Albuquerque. Coronel, coronéis: apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste. Neste livro é apresentada a estrutura econômica, social e política de quatro casos de coronelismo no Nordeste.


O quarto livro narra a história do coronel pernambucano Chico Heráclio: Família e Coronelismo no Brasil: uma história de poder. André Heráclio do Rêgo, o autor, descreve a trajetória do coronel utilizando o conceito de "poder simbólico". As particularidades da vida do coronel de Limoeiro são bem apresentadas por um escritor que é de casa.


 O quinto livro narra o conceito de Coronelismo como invenção, enquadrando na tendência pós-modernista da História. A história Maria Lucinete Fortunato escreveu O Conceito de Coronelismo e a imagem do coronel: de símbolo a simulacro do poder local. Fortunato analisa os discursos acadêmicos juntamente com a construção da mídia referente ao conceito.


Façam uma boa leitura e aproveitem para discutir o tema, pois do jeito que estamos, o estudo do coronelismo pode nos ajudar a construir um país mais democrático.




sábado, 27 de agosto de 2011

Coronelismo e Mandonismo: concepções teóricas.

A estrutura politica social, em que o poder de mando é o principal agente de legitimação de identidades, pode ser avaliada a partir do estudo do conceito de “coronelismo”.
           Segundo José Murilo de Carvalho há uma problemática muito extensa sobre o conceito de coronelismo. Para este, a tarefa dos historiadores referente às problemáticas do conceito seriam apenas resolvidos por uma pesquisa de campo. Mas, de antemão, penso ser necessário dialogarmos sobre que conceito de “coronel” está presente neste trabalho.
            Carvalho atribui a confusão referente ao conceito, por a compararmos ao clientelismo e ao mandonismo, para este o clientelismo e o mandonismo seriam características da política brasileira e o coronelismo um contexto histórico datado. Mas de forma geral, datado historicamente, o coronelismo foi fruto das relações de poder entre o poder público fortalecido após a Proclamação da República, e o colapso social dos latifundiários, que para escaparem de uma crise estruturante, tiveram que utilizar da máquina estatal para continuar no poder.
            Assim, a República Velha, período que vai de 1889 à 1930 caracteriza-se como um período de troca de favores entre as diversas camadas sociais e administrativas do Estado. Segundo Carvalho este sistema estaria organizado da seguinte forma:

O governo estadual garante, para baixo, o poder dos coronéis sobre os seus dependentes e seus rivais, sobretudo cedendo-lhe o controle dos cargos públicos, desde o delegado à professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de votos. Para cima, os governadores dão seu apoio ao presidente da República em troca de reconhecimento deste e de seu domínio no Estado.

Inserido neste contexto, o clientelismo e o mandonismo seriam fatores preponderantes da estrutura política da República Velha, mas que não surgiram dela, pois são estruturas de longa duração.
            O mandonismo na concepção de Maria Isaura Pereira de Queiroz  foi uma forma de poder existente no Brasil desde sua colonização, do qual os principais agentes que o consolidaram foram o grande latifúndio e a “família grande”. O poder de mando era liderado pelo chefe da família e donos de propriedades. Assim, a nossa estrutura política teria a base na terra e na família. Durante o Império, quando a centralização política passou a ser o centro do debate político, o mandonismo se readaptou, pois “a terra” aos poucos perdeu importância para as cidades. Com a crise do valor social dos grandes latifundiários e com a autonomia econômica do país sobre o café, o coronelismo da República Velha como vimos em Carvalho, foi um período particular do mandonismo. Para Queiroz, “o coronelismo seria uma forma de adaptação entre o poder privado e um regime político de extensa base representativa”. Para ela, o poder do coronel é medido pelo número de votos que este detém, assim, o clientelismo entra em cena como um mecanismo de garantia de sucesso para o coronel.
            O clientelismo é outro conceito de longa duração que merece destaque. Richard Graham ao estudar a organização política brasileira durante o Império destrinchou o clientelismo. Para ele, o clientelismo foi uma prática que atingiu todos os cargos públicos do Império, do alto ao baixo escalão. Os presidentes de províncias eram nomeados pelo Imperador, já com o propósito de vencer as eleições em favor da monarquia. Quando o presidente assumia o cargo da província, começava a distribuição de cargos locais. O presidente decidia justamente quem seria seu candidato na representação local.
            O poder exercido pelo representante local era salvaguardado pelo poder de coagir. Os delegados nomeados pelo presidente da província eram em geral proprietários rurais que chefiava a clientela local, estes representantes quase sempre da situação. Se por acaso ocorresse de um oposicionista causar confusão perante as eleições, cabia ao delegado com suas sentinelas fazer valer “a ordem”. A instituição que mais detinha o poder de coagir era a Guarda Nacional, do qual o chefe era denominado de “Coronel”. O posto de coronel era atribuído aos homens ricos que detinham o poder econômico em determinada região. Assim fica claro que o clientelismo como sistema político, já estava enraizado no Brasil antes da República.
            Como analisamos em Carvalho, Queiroz e Graham, foram as peripécias dos latifundiários nas entranhas do Estado que formou o coronelismo, este datado historicamente. Mas em nossa análise, a partir do momento em que os Brito e os Gaudêncio sobem ao alto escalão da política paraibana, após 1930 – “marco” final do coronelismo – as peripécias das famílias que “mamam nas tetas do Estado” continuaram, pouco se diversificando com a estrutura da República Velha.
            Mas ao tratarmos o conceito como determinado e infalível, estamos correndo o perigo não aceitar as próprias como modificáveis a partir do tempo histórico. Os conceitos não são permanentes, pois eles sofrem alterações, pelo fato de estarem relacionados a contextos históricos e sociais. Para Raymond Williams, o “significado” das palavras ultrapassa as fronteiras da significação, pois estes estão relacionados às normas e às regras que se transformam constantemente nas relações reais. Como afirma Williams, “tanto os significados quanto as relações são caracteristicamente diversos e variáveis, dentro das estruturas de ordens sociais especificas e dos processos de mudança social e histórica”.
           


LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...