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quarta-feira, 12 de março de 2014

A Crise Política atual e suas críticas

Costumeiramente, críticas aos sistemas políticos atuais escancaram na mídia tanto da esquerda (Carta Capital) quanto da direita (Raquel Sheherazade). No centro da crítica encontra-se a questão da representação do Estado e da cidadania. Casos de corrupção, violência, censura, abuso de poder, etc... São temas fortes que promovem jornalistas e disseminam um estado de crise. 



Estamos vivendo o fim dos tempos tal como descreveu o filósofo Slavoj Zizek. Este coloca como uma das causas do fim da sociedade ocidental a crise do liberalismo: utopia que causa um desanimo profundo e gera uma depressão social sem precedentes. As pessoas vivem um hedonismo exacerbado numa democracia representativa ilusória, ou seja, as pessoas fingem que são livres e o governo finge que não é opressor.

Na verdade esta crise que faz que crer que estamos no final dos tempos é fruto da separação entre a política e a moral ocorrida durante a criação das monarquias absolutistas. O foro interior do indivíduo foi abafado e só o foro exterior pode ser admitido, isto sob a tutela política do Estado. Durante o século das luzes houve a tentativa de unir a moral à política sob a coordenação do Estado (trata-se da vontade geral rousseauniana). A classe burguesia - que se legitimava  como detentora da moral perante a política do Estado - para esconder suas intenções políticas utilizou da filosofia da história para afirmar que era detentora do futuro. Dizia ser apolítica, mas era política até os ossos. 

E o que vemos hoje é uma crise mal resolvida deste mundo burguês. Ninguém sabe como a democracia representativa "representa" seus cidadãos, pois parece que Estado e cidadania estão sempre numa queda de braço. Perante esta disputa ainda vivemos numa época de crise e crítica do Estado que nos parece estar longe de ser resolvida. 

Vivemos tempos de desesperança, consequência da crise. Passamos a imaginar um futuro decadente onde a tecnologia sucumbirá o Homem. O Cinema apocalíptico não nos deixa esquecer nossas alternativas... O Estado ou a falta dele alimenta nossa imaginação. Só falta saber até quando a crise perdurará... Marx tentou explicar.



Aconselho que antes de criticarem o PT ou Aécio Neves e suas formas técnicas administrativas, saibam que o problema que assola a representação do cidadão no Estado é tão antiga quanto a Democracia. Vá com calma companheiro.

Em breve pretendo explicar passo a passo a teoria de Koselleck sobre a Crise e Crítica do Estado Moderno.   



terça-feira, 30 de outubro de 2012

O que é política e para que serve?





Mas uma vez me acho na necessidade de escrever sobre política devido a fatos lamentáveis ocorridos na última eleição, não somente em Araruna, mas em todo o Nordeste e não me arrisco e afirmar também no Brasil.
A ideia de política da população interiorana ainda não desenvolveu nos parâmetros democráticos de uma República que tem como regime político a democracia. Assim, para desmitificar esta visão faz-se necessário dialogar sobre o que são três conceitos que parecem simples, mas não são - política, eleições e democracia -, daí alguns fazer uso deste conceito para ludibriar a cabeça de muita gente, que vive sobre uma péssima educação escolar com professores maus remunerados o que torna a profissão desvalorizada (feliz dia dos professores atrasado a todos meus colegas).
Vamos aos conceitos. Faz de conta que um (a) cabo eleitoral discute as ideias destes conceitos com um filósofo, historiador e jurista, ou seja, um pensador que nem o velho Sócrates.

Cabo eleitoral – Como anda a política?
Pensador – Falha! Percebo que muitos estão vendendo seus votos, ou seja, a sua liberdade.
Cabo eleitoral – Oxe! Acho que o partido A que tem mais dinheiro vai ganhar então, e o senhor vai votar no partido A? Olha que ele vai ganhar!
Pensador – Meu voto é secreto, mas isto é política?
Cabo eleitoral – Deixe-me explicar... Política é que nem um jogo de futebol, tem seu Vacariano do partido “A” e a senhora Campolargo que é do Partido “B”. Os dois são inimigos históricos e nunca se unem tudo que um faz não presta pro outro. Seu Vacariano é cabra bom, estão na prefeitura por uns 20 anos revezando com os Campolargo, disputam ele, seus amigos donos das lojas. Eles revezam na prefeitura e nunca saem, disputam até o último centavo nas eleições, mas derrotam o inimigo. Deus me livre a senhora Campolargo ganhar, dizem que guarda um diabinho dentro de uma garrafa.
Pensador – Isso é política? Não creio! Pois desde a Grécia Antiga política quer dizer convivência, união sobre uma mesma cidade, que era chamada de pólis. Política é vida, é uma coisa bela, é o que faz das pessoas animais sociáveis. Acho que briga não é política, é safadeza.
Cabo eleitoral – O senhor é doido... Ou não foi assim que o seu Vacariano me ensinou... Mas o importante é o dinheiro que estou ganhando e o senhor aí liso...
Pensador – Daí minha resposta de como anda a política, tá aí você vendendo a sua liberdade e sua saúde, educação e moradia de qualidade.

Em outros artigos eles continuaram o diálogo sobre eleições e democracia.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A "cordialidade" do município de Araruna



A "cordialidade" trabalhada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda demonstra que está inserido em nossa cultura política, o caráter patrimonialista dos bens públicos, fato negativo da política no Brasil.Caso comum deste tipo de política encontra-se no município de Araruna onde a prefeitura "monopoliza" - a partir da cultura política construída historicamente - as instituições públicas às representando de forma privada. 
Há neste município a predominância de uma mesma família no poder que sobrevive desde o período da República Velha, trata-se da família Targino que por um breve período durante o Estado Novo não esteve no poder naquele município. O nome "Maranhão" passou a ser capital simbólico a partir da liderança de Benjamim Maranhão na década de 1950, personagem que se casou com uma Targino.
Partindo da ideia de poder simbólico, a população juntamente com a classe política dirigente acredita no "jogo" da política familiar. O nome da família, os bens, os prédios públicos - Escola Estadual Benjamim Maranhão, Ginásio O Maranhão, etc - nomeados em homenagens a parentes contribuem para a perpetuação do poder no seio familiar.
Isto passa a ser negativo para democracia, pois um dos supostos de um governo democrático é a alternância do poder e não a continuidade de uma mesma família na direção de um município.O forte da família é a “cordialidade”, pois o público é utilizado em benefício do privado, por exemplo: a distribuição de cargos administrativos, os benefícios dos serviços hospitalares - pois mesmo não sendo governador, a fotografia de Zé Maranhão continua na entrada do hospital -, e a utilização de transportes. Para parcela da população, estes serviços são provas da caridade da prefeitura e especificamente da prefeita.
Assim, as paixões ganham vida, e no lugar que deveria habitar a racionalidade, encontramos a irracionalidade.Quando o público passa a ser público, a sociedade que se beneficia do Estado, critica o governo. O Concurso Público realizado neste município foi inadmissível na conjuntura da cultura política local para determinada parcela da população que não conseguiu se beneficiar das promessas eleitorais de empregos. A família deixou de dar emprego, cada um teve que conquistar com esforço próprio. O mesmo se pode dizer referente as reclamações para com o Governo do Estado da Paraíba. 
O empreguismo era uma das forças de manipulação dos governantes. Mas na verdade, o Estado deve beneficiar a todos de forma igualitária independente de ser gato, cachorro, sapo ou jacaré. Para isto, quanto mais Concurso, melhor!Araruna necessita que sua população pense racionalmente e que discuta os projetos de cada candidato e não transformar a eleições numa partida de futebol com cores, músicas e slogans. É de debate que a população precisa, não de acusações, para que assim o governo atual seja avaliado de acordo com a proposta dos outros candidatos. A política é convivência social e não monopólio de uma família. 
Os Targino Maranhão não são os únicos candidatos, eles não são salvadores, as instituições públicas não pertencem a eles, pois estes são apenas representantes políticos e devem ser pensados como tal. Chega de "cordialidade"! O importante é cuidar do bem comum a todos e buscar um futuro melhor para o município!


sábado, 7 de julho de 2012

Ronaldo Cunha Lima: além do poeta



Faleceu nesta manhã por causa de insuficiência respiratória o ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima. Nascido no município de Guarabira, Ronaldo pertencia a uma tradicional família paraibana, os Cunha Lima, que até os dias atuais estão no poder no município de Areia.
Sua vida política começou no período democrático pós-1945. Elegeu-se inicialmente como vereador de Campina Grande com 942 votos, pertencia ao Partido Trabalhista Brasileiro e seguiu primordialmente ideologias de esquerda. 
Ronaldo neste período fez parte de um grupo  de oradores que o preparou para galgar cargos mais altos na vida política. Destaca-se neste grupo políticos como João Agripino, Raymundo Asfora e Pedro Gondim.
Ronaldo Cunha Lima formulou discursos cativantes em suas primeiras campanhas política todas escritas em versos que incluíam críticas e ironias referentes aos adversários.

No princípio era o verbo, aí vieram os Gaudêncio e os transformaram em verba; depois vieram os Agra e ficou só o princípio.

Ronaldo além de participar da política de redemocratização do Estado Novo participou no mesmo processo pós-Ditadura Militar. Inicialmente como prefeito de Campina Grande e logo depois como governador da Paraíba entre 1990 e 1994.
Foi um político ligado a mudanças ocorridas em seu tempo sempre atento as formas de discursos a ser utilizadas em campanhas políticas. Além do poeta e do político ele foi um sujeito histórico peculiar a cultura política paraibana que daria uma ótima tese de doutorado.


quinta-feira, 21 de junho de 2012

Desconstrução do Populismo: concepções teóricas


                                            Jânio Quadros em campanha eleitoral 

Para o brasilianista Skidmore, o coronelismo se assentava “num sistema político manipulável” enquanto o populismo “pressupõe um sistema político aberto com resultados menos previsíveis”. Assim como colocamos o coronelismo como cultura política, o populismo também o é? O populismo a partir da análise conceitual, a priore, seria a continuação da cultura política mandonista que perpassa o patriarcalismo e o coronelismo. Ocorre que em termos conceituais, o populismo é um termo confuso: seria o personalismo dos políticos e a barganha dos votos num cenário urbano e industrial. Enquanto que nas regiões menos urbanizadas seria um novo sistema de controle entre dominantes e dominados.
Na historiografia brasileira, o conceito de populismo está intermediado com as condições da vida das classes trabalhadoras. Devido à falta de determinada consciência de classe das “massas”, recém-chegada no setor urbano, o Estado utilizou de práticas populistas para “manipular, cooptar e corromper os trabalhadores”. Ocorre que nas últimas décadas o conceito de populismo foi revisado e não se enquadrou no conceito de cultura política.
O historiador Jorge Ferreira divide a interpretação do populismo em duas gerações. A primeira geração abrangeu as décadas de 1950 e 1960. Neste período, o populismo foi explicado a partir da teoria da modernização. A inserção da América Latina no mundo moderno foi diferente da democracia liberal européia, o processo de urbanização e industrialização mobilizou as “classes populares” que buscaram maior representatividade política, o resultado foi o aparecimento de ditaduras militares e governos nacionais – influenciada por líderes manipuladores “das massas”. O populismo surgiu num período de transição da economia agro-exportadora para a economia industrial. A sociedade moderna se originou da formação da classe campesina que migrou para as cidades.
Destacam-se várias teorias sobre o populismo na primeira geração sugerida pelo(s):
·                O Grupo de Itatiaia: defendia a teoria da modernização com o surgimento de uma classe proletária sem consciência de classe liderada por um líder carismático.
·                O sociólogo Alberto Guerreiro Ramos: descreve o populismo como “doenças infantis do trabalhismo” de um “povo embrionário”. As doenças por ironia eram “o varguismo, o janguismo, o peleguismo e o expertismo”.
·                O sociólogo Luiz Werneck Viana: o populismo segundo este, numa “interpretação sociológica” surgiu a partir do individualismo de origens rurais que transformou a classe operária passiva perante o domínio do Estado.
A segunda geração analisou a relação entre o Estado e a sociedade com forte influência do marxismo. Assim se destacou nas discussões o conceito de ideologia. A principal questão era: como a ideologia influenciou a classe trabalhadora referente ao papel do Estado?   A resposta foi o advento por parte do Estado de uma “falsa consciência” que levou os trabalhadores a não se revoltarem contra o Estado. A maior influencia marxista foi de Antonio Gramsci, para esta geração, o poder repressivo e persuasivo[1] do Estado prevaleceu sobre as classes trabalhadoras dando origem ao populismo.
     A partir da década de 1980 o conceito de populismo foi substituído por uma análise vidrada no controle operário. O Estado utilizou de mecanismos racionais para controlar a classe operária. Mas com a recepção da história cultural no Brasil, percebe-se que este controle era ilimitado, pois a classe operária possuía vida própria. Assim, observou-se que nenhum Estado tinha domínio totalitário sobre as “massas”, pois existiam relações mais complexas entre dominantes e dominados.   
Concordamos com Ferreira quando este nega que o Estado transformou a sociedade em elemento passivo perante a dominação e a repressão. Para ele:

A sociedade em si mesma não era tão “boa” e isenta de culpas, e que nela circulavam preconceitos contra judeus; manifestaram-se rancores contra alemães e japoneses, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial; existiam pessoas com horror dos comunistas ou dos integralistas; encontravam-se alguns que queriam punir o comerciante da esquina desmedido em seus lucros; havia outras que desejavam livrar-se das dívidas com agiota – e, em alguns casos, mais raros, do próprio marido. (...) Em outras palavras, as relações entre Estado e sociedade não eram de mão única, de cima para baixo, mas sim, de interlocução, de cumplicidade.

            Ao se retirar a interpretação maniqueísta entre o Estado e a sociedade, o conceito de populismo perde sentido. A partir da década de 1990, o conceito estava em colapso devido à introdução no Brasil de teorias advindas da História Cultural[2] e da História Social. Houve também a interpretação baseada na idéia de que a consciência de classe forma-se independente da relação com a classe dominante. Teoria atribuída ao historiador inglês E.P. Thompson:
Se determos a história num determinado ponto, não há classes, mas simplesmente uma multidão de indivíduos com um amontoado de experiências. Mas se examinarmos esses homens durante um período adequado de mudanças sócias, observaremos padrões em suas relações, suas idéias e instituições. A classe é definida pelos homens enquanto vivem sua própria história e, ao final, esta é a sua única definição.

            Assim, a partir desta interpretação relativa à idéia de “classe”, entendemos o populismo como pouco elucidativo para explicação da relação política entre o Estado e a sociedade. Não houve uma dominação ideológica entre o Estado e a classe operária, mas sim, troca de interesses. Logo o populismo não é um poder absoluto e totalitário, já que existem os valores, as crenças, os mitos e as tradições de determinada sociedade, que ora denominamos de cultura política. 
                           Adhemar de Barros, o 1° grande "populista", governador de São Paulo


[1] A partir da propaganda do governo e da doutrinação política.
[2] Destaca-se a idéia de “circularidade cultural” de Ginzburg do qual as idéias “circulam” entre a cultura popular e a cultura erudita e a idéia de apropriação e resignificação das mensagens dos dominantes discutida por Chartier.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Política na Paraíba



O Estado da Paraíba, localizado no nordeste brasileiro carece de uma maior critica política sobre os seus governantes. A forma de governo na Paraíba possui forte traço personalista, onde nomes são mais respeitados do que partidos e ideais. Falta discussão política na sala de aula, não da política de mídia, mais uma política crítica, com seus valores enraizados em Aristóteles e condensados em Foucault. A participação política quando toma as ruas, se parece com um carnaval fora de época: cores, bandeiras, trios elétricos e refrães demonstram os ideais dos candidatos.
Outra característica de nossa política, vivenciada principalmente no interior, são os fortes laços entre as famílias que monopolizam as prefeituras em suas mãos e a população. Para conseguir um atendimento digno, num posto de saúde, “o cidadão” deve estar aliado ao comando da prefeitura. Em épocas de eleições, como é o caso de Araruna, cidade da região do Curimataú, a população se divide em dois times: o gato, que usa camisas verdes e os jacarés que usam camisas vermelhas, estereótipos são inventados, e a briga entre a população toma o lugar da discussão política sobre o melhor para o município.
O conhecimento histórico pode e deve contribuir para uma análise crítica da sociedade vigente. Para isto iremos nos debruçar sobre a utilidade da história política para o estudo da história local.
Segundo Carmelo Ribeiro de Nascimento Filho:

Uma das características centrais da política paraibana é o personalismo, que torna senão irrelevante, no mínimo secundária, a existência de partidos políticos, uma vez que a base da política na Paraíba até muito recentemente foram às famílias, mediadas ou não por uma estrutura partidária, de ordinário, facilmente manipulada,


A base do governo na Paraíba ainda está calcada nas famílias que trazem com si uma sólida base de sustentação política local. Assim, podemos afirmar que a partir da perspectiva da Nova História Política é possível fundamentar uma história local crítica.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Ciência e chefes políticos: a Democracia a favor do Elitismo



        No final do século XIX, além já das formuladas críticas liberais e socialistas, todas as duas de cunho idealista, surgiu uma crítica científica. Para os teóricos destas críticas científicas, a soberania popular é um ideal-limite e nunca vai corresponder a realidade. Pois seja de qualquer ideal político ou forma de governo, é sempre uma minoria que detém o poder político, segundo Gaetano Mosca, esta seria a “classe política”. Logo estes teóricos não acreditavam na Democracia, pois o poder é sempre de poucos, o poder é sempre oligárquico. Esta “classe política” é uma classe hereditária e que estaria sempre em um nível mais alto do que a população, mesmo podendo existir vários tipos de governo, esta classe se adapta sempre. Neste sentido nunca existiu Democracia, mas sim uma aristocracia governante.
            Joseph Schumpeter, diz haver uma Democracia nesta teoria da elite. Para ele a Democracia surgiu de um bem geral originado pelo povo do qual este bem não podia ser identificado, a não ser no ato do voto. Assim, quando há vários grupos concorrendo a um cargo e do quais estes grupos precisam do voto popular, existiria assim Democracia. A Democracia seria a forma de regime do qual a contenda pelo poder é resolvida a favor de quem tiver mais voto, pois este é o líder do povo que antes não estava sendo identificado.
            De acordo com a teoria de Schumpeter e da teoria da elite de Mosca, as presenças de classes políticas em concorrência diferenciam as duas teorias em alguns pontos.  Em uma eleição de livre concorrência pode se chamar de eleição democrática e não uma continuação de poder hereditário ou de transmissão. Outra é no que se diz sobre a extensão dos poderes, quando há classes políticas em oposição entre o Governo Geral e o Governo Local que influenciam diversas localidades, é uma forma mais democrático em vez de haver um poder central organizado por um pequeno número de pessoas (a classe política). Por último é no que diz respeito à fonte do poder, se esta fonte foi organizada encima de uma eleição de confiança baseada em uma constituição, do qual este poder é renovável, é uma forma política democrática, mas se a fonte surgiu de dotes carismáticos do chefe ou de tomadas violentas do poder, não é uma forma democrática.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

História da Democracia: a tradição romano-medieval da soberania popular


A partir da passagem do Digesto, de Ulpiano pode-se afirmar o seguinte: quod principi placuit, (o príncipe que agrada possui a força das leis) e uptope cum lege regia, quae de imperio eius lata est, populus ei et in eun omne suum imperium et potestatem conferat, (O que origina as leis do soberano, dos quais o Império esta por longo tempo, é toda a população, pois todos conferem e comandam.). Os textos se baseiam na fonte do direito do qual o povo cria em seus costumes e dos costumes surge as leis. Seja qual fosse o soberano, o poder surgia do povo. Desta forma buscava-se saber se o poder do povo era maior ou menor do que o poder do imperador. Os defensores da soberania popular se apoiavam na tese da transmissão do poder do qual o povo transferia seu poder para o imperador e logo em seguida abdicava deste poder.
            Na Idade Média Marsílio de Pádua demonstra abertamente sobre o princípio de que o poder de fazer leis, em que se apóia o poder soberano, diz respeito unicamente ao povo, ou à sua parte mais poderosa, o qual atribui à outros  não mais do que o poder executivo, isto é, o poder de governar no âmbito das leis. Daí, o legislador, um corpo de cidadãos passaria a fazer as leis do qual poderiam até depor o governante. O legislador é a causa primaria e o executivo a secundaria, o povo faz a lei a partir do legislativo e o executivo faz cumprir estas leis.
            Esta forma de ver o poder entre o legislativo e o executivo de Marsílio de Pádua foi o ponto cardeal de pensadores dos séculos XVII e XVIII que são considerados os pais da democracia Moderna: Locke e Rousseau.
            Apesar disto a diferença entre o pensamento do legislativo de Locke para Rousseau. Para Locke, o legislativo deveria se administrado por representantes e para Rousseau deveria ser assumido diretamente pelos cidadãos.
            Na se pode confundir contratualismo com soberania popular. Nem toda forma de democracia é contratualista assim como nem todo contratualismo é democrático. Hobbes é contratualista e não é democrático.  A teoria do contratualismo e da soberania popular estão ligados em dois pontos. Sobre o universo civil que surge de um acordo, de um pacto social, pois todo governo, seja parcial ou imparcial ocorre por forma de um contrato. O segundo ponto é que graças a teoria da soberania popular, o contratualismo entra com direito na tradição da teoria da democracia na Idade Moderna.  


terça-feira, 1 de novembro de 2011

A tradição aristotélica das três formas de governo

Resolvi trabalhar neste mês de novembro no blog publicações sobre o conceito de Democracia. A fonte da pesquisa é o "Dicionário de Política" organizado por Norberto Bobbio. Espero que gostem!



Uma das primeiras disputas que se têm notícia sobre as três formas de governo ocorreu em torno do governo da Pérsia. As três formas de governo debatidas eram a aristocracia, a monarquia e o governo popular. O governo popular questionava o mesmo da democracia de hoje: “Como poderia a monarquia ser coisa perfeita, se lhe é lícito fazer tudo o que deseja sem o dever de prestar contas?”. Por outra parte a Democracia era criticada pelo segundo argumento: “Não há coisa... mas estulta e mais insolente que uma multidão incapaz”.
            Para Platão só a aristocracia era boa. Em seu livro Político, Platão coloca a Democracia como a menos boa das formas de governo e a menos mal. Segundo Platão se todas formas e governo “forem desenfreadas, é na Democracia que há mais vantagem para se viver; por outro lado, se todas forem bem organizadas, é nela que há menor vantagem para se viver.” Em Leis, a monarquia representada pelo Estado Persa é o excesso de autoridade e a Democracia representado por Atenas é o excesso de liberdade. Logo tripartição política a aristocracia seria o equilíbrio entre a monarquia e a democracia.
            Para Aristóteles a tripartição fica mais clara, a o governo para si (tirania; de um só), o governo para vantagem para os ricos (oligarquia) e governo para os pobres, corrupto, (democracia). A Democracia de Aristóteles é identificada por cinco formas:
            1) ricos e pobres participam do governo em condições paritárias. A maioria é popular unicamente porque a classe popular é mais numerosa. 2) Os cargos públicos são distribuídos com base num censo muito baixo. 3) São admitidos aos cargos públicos todos os cidadãos entre os quais os forem privados de direitos civis após processo judicial. 4) São admitidos aos cargos públicos todos os cidadãos sem exceção. 5) Quaisquer que sejam os direitos políticos, soberana é a massa e não a lei. Este último caso é o da dominação dos demagogos, ou seja, a verdadeira forma corrupta do governo popular.
           O pensamento político de Aristóteles com alguma exceções está vivo até Hegel, dos quais as exceções foram as formas de governo de Bodin, Hobbes e Rousseau.
            Para Bodin poderia existir uma democracia aristocrática / aristocracia democrática (como em Roma) do qual a distinção só caberia aos tipos de titularidade e o exercício da soberania.
            Para Hobbes do qual qualquer poder absoluto pode vigorar sem distinção de governo, não existe nem bom ou mau governo e sim o abuso do poder soberano.
            Para Rousseau as três formas de governo aristotélicas estariam abrangendo só o executivo e o poder que tinha que vigorar é o legislativo que representa a soberania popular ocorrida através de um contrato social. Este contrato é incorporado na república e a Democracia para Rousseau é uma das formas do poder executivo.


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O MITO "CÁSSIO"!!!!

Todos os jornais da Paraíba estão destacando no momento a autorização do Supremo Tribunal Federal que dá posse imediata à Cássio Cunha Lima ao senado federal. Em 2009, Cássio foi cassado por abuso de poder econômico. De lá pra cá, criou-se o mito "Cássio", aquele que é querido pelo povo, mas que é injustiçado pela classe política dirigente (que no âmbito nacional é o Partido dos Trabalhadores e estadual o PMDB).
Sempre perseguido pelo ex-governador José Maranhão, Cássio - jovem, com lábia e boa aparência - soube reverter a perseguição dos adversários em idolatria para com seus eleitores. Nas eleições do ano passado, o mesmo foi a principal figura. Pois os votos adquiridos pelo atual governador Ricardo Coutinho, de Campina Grande até o sertão foram graças ao prestigio do tucano na região. Outro mito passou a ser criado: só ganha as eleições quem Cássio apóia. Na mesma eleição, Cássio recebeu mais de hum milhão de votos, mas devido a Lei Ficha Limpa, o TRE barrou a posse. De lá para cá o mito cresceu mais e hoje, a posse de Cássio é festejada em toda a Paraíba, tal como um herói que retornou da guerra. O Mito está construído, o novo senador é idolatrado, festejado, amado! Ricardo e Cícero Lucena comemoraram a posse não por acaso, mas porque sabem da força do Mito. Mas pra mim, ele continua sendo um homem que foi cassado por abuso de pode econômico, mas apesar de tudo, por este representar mais o "amor" do povo paraibano, prefiro ele do que Santiago na cadeira do senado. Pelo menos o Cássio sabe o que é o ENEM!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

"Como se faz um Ministro do PMDB"? Seja aliado de Sarney!

A Carta Capital desta semana trás na capa a "vitória" de José Sarney ao renomear mais um ministro do PMDB para a pasta do Turismo. A capa é irônica, e faz a pessoa ter nojo da política de nosso país. E ainda chamam de democracia... Então porque colocar logo um ministro do PMDB, puro clientelismo, filhotismo, etc, etc, e logo do mesmo Estado do Senhor Sarney? Isto mostra como Dilma está cada vez mais refém do PMDB.


Mas nem só Dilma caiu nos encantos do Senhor Sarney (político que chora), FHC na sua primeira gestão - eu me lembro, eu tinha 10 anos - indicou seu filho para ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, sem mentira nenhuma. E ainda quis colocar a filha como presidente, após FCH puxar o tapete dela, a família se aliou a Lula e até hoje no governo do PT, o bicho tem poder, tal como demonstra o novo Ministro do Turismo.  

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Governo de Anthenor Navarro na Paraíba (1930-1932) Parte II

Devido a participação da Paraíba na Aliança Nacional e a desgastante Revolta de Princesa, o estado estava com suas divisas esgotadas. Cabia a Navarro sanear a carência econômica do Estado. Assim, foram nos municípios que o novo interventor mais atuou. Primeiro, ele tentou acabar com o filhotismo, pois exonerava e transferia funcionários durante todo o seu governo. Além disso, em várias cidades, como em Araruna, ele nomeou prefeitos tenentes, livres da imposição dos chefes locais.
            Mas, a medida, que mais mexeu na administração dos municípios, foi a reorganização das Mesas de Rendas. Anthenor Navarro foi mais “abusado” do que João Pessoa ao moralizar a coleta de impostos. No governo João Pessoa, as cidades que apoiavam a oposição não obedeciam as ordens do Governo Estadual. Assim, em várias cidades da Paraíba, as Mesas de Rendas ainda eram “saqueadas” pelos chefes locais. Duas medidas foram tomadas para a moralização fiscal do Estado. Primeiro, substituiu os fiscais que fossem “filhotes” dos chefes políticos. Segundo, desmembrou as Mesas de Renda em vários distritos. Alguns distritos passaram a ter o seu comércio fortalecido devido as transações comerciais serem facilitadas pelas Mesas de Renda. Assim, se beneficiou os comerciantes e o Estado teve garantia continua de arrecadação de impostos.


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PMOB: um partido das oligarquias!!!!

Quem já não ouviu falar do PMOB? - Partido do Movimento Oligárquico Brasileiro. Inicialmente nasceu como agremiação de oposição à Arena, a partir de 1980 com a liberdade de criação dos partidos, com a abertura política, aqueles famosos políticos que não detinham projetos nenhum, apenas tinham a ânsia de continuar no poder, incluíram seus nomes no partido. Durante a década de 1990, era um sucesso, o maior partido político do país,com mais números de prefeitos e donos da maior bancada do Congresso Nacional. Nos anos 2000 fez aliança com um partido popular com admiração da classe trabalhadora (o PdeLILS) e até hoje está arengando para ter peixadas para mandar no governo. Em cada estado do Brasil e principalmente do Nordeste, o PDOB tem um representante. Destaca-se o Zezinho Sasa do Maranhão, Zezinho Tata da Paraíba, Netinho da Bahia e Naninho de Alagoas. Obs: além de gostar de ter maioria e não gostar das maiorias, eles amam a cor do socialismo e admiram os jacarés!!!!

domingo, 11 de setembro de 2011

O Governo de Anthenor Navarro na Paraíba (1930-1932) Parte I

A escolha de Anthenor Navarro para interventor da Paraíba veio da indicação de Juarez Távora, principal conspirador da “Revolução” no Nordeste.  Navarro buscou dar continuidade a reforma política iniciada por João Pessoa e sua escolha, se deu ao fato de seu perfil político. Segundo Santos Neto: 

(...), o que ocorreu foi a incorporação, à conduta administrativa de Anthenor Navarro, dos princípios da centralização estatal defendidos por aquele presidente (João Pessoa), ou seja, a consolidação da ação intervencionista de Anthenor Navarro passou, necessariamente, por essa incorporação haja visto a comoção social e a crescente mitificação das ações administrativas de João Pessoa.

            Se no governo de João Pessoa as oligarquias sofreram, com Anthenor Navarro elas se desesperaram.  As reformas administrativas de Navarro tinham como alvo principal os municípios que estavam ainda influenciados pelo comando dos chefes políticos. Devido a participação da Paraíba na Aliança Nacional e a desgastante Revolta de Princesa, o estado estava com suas divisas esgotadas. Cabia a Navarro sanear a carência econômica do Estado. Assim, foram nos municípios que o novo interventor mais atuou. Primeiro, ele tentou acabar com o filhotismo, pois exonerava e transferia funcionários durante todo o seu governo. Além disso, em várias cidades, como em Araruna, ele nomeou prefeitos tenentes, livres da imposição dos chefes locais.
            

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Qual é a do Cícero Lucena?

21 de julho de 2005. Quem não se lembra da notícia que ganhou os principais jornais do país? "Polícia Federal prende o ex-prefeito de João Pessoa por suspeita de fraudes em licitação". A suspeita do desvio foi de 13 milhões de reais. Como a memória do povo da Paraíba é do tamanho de uma pitomba, em 2006 ele foi eleito senador, graças a desmoralização de seu concorrente: Ney Suassuna que, junto com outros políticos da Paraíba, realizaram a Máfia das Ambulâncias (um deles é bem conhecido do povo ararunense). Após a entrada de Ricardo Coutinho na prefeitura de João Pessoa, as diferenças administrativas foram escandalosas:a educação melhorou 100% e a cidade deixou de ser um amontoado de ruas feias. E o Cícero todo queixudo fazendo oposição ao prefeito. Ano passado,o mesmo queria ser candidato a governador e nem seu principal aliado de partido - Cássio Cunha Lima - quis sua companhia. Preferiu apoiar Ricardo, foi uma boa estratégia de Cássio. Cícero ficou apagado até que agora aparece uma nova: o STF abriu uma ação contra o senador por suspeita de fraudes em licitação. Novamente superfaturamento em obras e desvio de dinheiro. É importante que nós, eleitores da Paraíba, saibamos analisar os bons e maus políticos, como cidadão eleitor, para mim Cícero é um mau político e nem adianta espalhar outdoors pelo Estado, não vai adiantar!!!!    
  

domingo, 28 de agosto de 2011

NORDESTE CRESCE MAIS DO QUE O SUDESTE

Mesmo com a crise, o Nordeste vem crescendo mais do que o Sudeste, é o que demonstra os números de acordo com o Banco Central. O Brasil cresceu 1,1% no primeiro trimestre e 0,7 % no segundo. O Nordeste cresceu 1,6% tanto no segundo quanto no terceiro semestre. As causas deste crescimento residem do fato de investimentos do Governo Federal e de iniciativas privadas. Não é por acaso que a região deu maior número de votos a Dilma Rousseff o que demonstra o nariz torto da Folha. Como as mudanças em crise atinge primeiramente a indústria, o Sudeste é o primeiro a ser prejudicado, o que diminui a confiança de investidores. Já o Nordeste, com a construção da Suape, com a transposição do Rio São Francisco e com a construção da Ferrovia Transnordestina, é um prato cheio para investidores.  Outro fator importante é o aquecimento da economia, pois metade do Bolsa Família é pago no Nordeste. 

Estamos crescendo apesar da desconfiança dos sulistas que estão desgastados pelo capitalismo. É hora da Paraíba buscar o seu lugar, brigar por uma economia forte e concorrente. Ricardo, abra o olho, não durma no ponto!

G-9 mais a presidente Dilma

sábado, 27 de agosto de 2011

Coronelismo e Mandonismo: concepções teóricas.

A estrutura politica social, em que o poder de mando é o principal agente de legitimação de identidades, pode ser avaliada a partir do estudo do conceito de “coronelismo”.
           Segundo José Murilo de Carvalho há uma problemática muito extensa sobre o conceito de coronelismo. Para este, a tarefa dos historiadores referente às problemáticas do conceito seriam apenas resolvidos por uma pesquisa de campo. Mas, de antemão, penso ser necessário dialogarmos sobre que conceito de “coronel” está presente neste trabalho.
            Carvalho atribui a confusão referente ao conceito, por a compararmos ao clientelismo e ao mandonismo, para este o clientelismo e o mandonismo seriam características da política brasileira e o coronelismo um contexto histórico datado. Mas de forma geral, datado historicamente, o coronelismo foi fruto das relações de poder entre o poder público fortalecido após a Proclamação da República, e o colapso social dos latifundiários, que para escaparem de uma crise estruturante, tiveram que utilizar da máquina estatal para continuar no poder.
            Assim, a República Velha, período que vai de 1889 à 1930 caracteriza-se como um período de troca de favores entre as diversas camadas sociais e administrativas do Estado. Segundo Carvalho este sistema estaria organizado da seguinte forma:

O governo estadual garante, para baixo, o poder dos coronéis sobre os seus dependentes e seus rivais, sobretudo cedendo-lhe o controle dos cargos públicos, desde o delegado à professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de votos. Para cima, os governadores dão seu apoio ao presidente da República em troca de reconhecimento deste e de seu domínio no Estado.

Inserido neste contexto, o clientelismo e o mandonismo seriam fatores preponderantes da estrutura política da República Velha, mas que não surgiram dela, pois são estruturas de longa duração.
            O mandonismo na concepção de Maria Isaura Pereira de Queiroz  foi uma forma de poder existente no Brasil desde sua colonização, do qual os principais agentes que o consolidaram foram o grande latifúndio e a “família grande”. O poder de mando era liderado pelo chefe da família e donos de propriedades. Assim, a nossa estrutura política teria a base na terra e na família. Durante o Império, quando a centralização política passou a ser o centro do debate político, o mandonismo se readaptou, pois “a terra” aos poucos perdeu importância para as cidades. Com a crise do valor social dos grandes latifundiários e com a autonomia econômica do país sobre o café, o coronelismo da República Velha como vimos em Carvalho, foi um período particular do mandonismo. Para Queiroz, “o coronelismo seria uma forma de adaptação entre o poder privado e um regime político de extensa base representativa”. Para ela, o poder do coronel é medido pelo número de votos que este detém, assim, o clientelismo entra em cena como um mecanismo de garantia de sucesso para o coronel.
            O clientelismo é outro conceito de longa duração que merece destaque. Richard Graham ao estudar a organização política brasileira durante o Império destrinchou o clientelismo. Para ele, o clientelismo foi uma prática que atingiu todos os cargos públicos do Império, do alto ao baixo escalão. Os presidentes de províncias eram nomeados pelo Imperador, já com o propósito de vencer as eleições em favor da monarquia. Quando o presidente assumia o cargo da província, começava a distribuição de cargos locais. O presidente decidia justamente quem seria seu candidato na representação local.
            O poder exercido pelo representante local era salvaguardado pelo poder de coagir. Os delegados nomeados pelo presidente da província eram em geral proprietários rurais que chefiava a clientela local, estes representantes quase sempre da situação. Se por acaso ocorresse de um oposicionista causar confusão perante as eleições, cabia ao delegado com suas sentinelas fazer valer “a ordem”. A instituição que mais detinha o poder de coagir era a Guarda Nacional, do qual o chefe era denominado de “Coronel”. O posto de coronel era atribuído aos homens ricos que detinham o poder econômico em determinada região. Assim fica claro que o clientelismo como sistema político, já estava enraizado no Brasil antes da República.
            Como analisamos em Carvalho, Queiroz e Graham, foram as peripécias dos latifundiários nas entranhas do Estado que formou o coronelismo, este datado historicamente. Mas em nossa análise, a partir do momento em que os Brito e os Gaudêncio sobem ao alto escalão da política paraibana, após 1930 – “marco” final do coronelismo – as peripécias das famílias que “mamam nas tetas do Estado” continuaram, pouco se diversificando com a estrutura da República Velha.
            Mas ao tratarmos o conceito como determinado e infalível, estamos correndo o perigo não aceitar as próprias como modificáveis a partir do tempo histórico. Os conceitos não são permanentes, pois eles sofrem alterações, pelo fato de estarem relacionados a contextos históricos e sociais. Para Raymond Williams, o “significado” das palavras ultrapassa as fronteiras da significação, pois estes estão relacionados às normas e às regras que se transformam constantemente nas relações reais. Como afirma Williams, “tanto os significados quanto as relações são caracteristicamente diversos e variáveis, dentro das estruturas de ordens sociais especificas e dos processos de mudança social e histórica”.
           


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