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segunda-feira, 25 de junho de 2012

Bruxas brasileiras: religiosidade e perseguição




A mistura de diversas crenças no Brasil que sincronizava rituais indígenas, africanos e pagãos europeus foram perseguidos pela Igreja Católica durante o período da colonização portuguesa. Eram rituais amorosos, sacrifícios de animais, comunicação com espíritos e uso de plantas medicinais não oficiais. As mulheres praticantes destas crenças eram denominadas de feiticeiras ou bruxas.
A Inquisição não perseguiu consideravelmente estas bruxas, pois a instituição católica perseguiu mais cristão -novos - judeus cristianizados que diziam seguir as práticas da velha religião.
A fogueira não foi o principal destino destas bruxas tal como demonstra a tradição. Na verdade elas eram degredadas para África ou para o Brasil. Muitas bruxas condenadas em Portugal foram enviadas para a Ilha de Santa Catarina. Em 1747, o rei D. João V enviou 4.000 portugueses para colonizar a tal ilha. Entre estes 4.000 estavam as bruxas condenadas. Elas detinham prestígio entre os enviados por ser benzedeiras, curandeiras e parteiras. Tais práticas que hoje são mal vistos pela Igreja e pelo Estado era perseguidos pela Igreja Católica. Mas como as bricolagens - tal como afirma Certeau - são comuns em sociedades dominadas, estas bruxas sobreviver às perseguições dos dominantes.
Os mitos das bruxas que vieram para o Brasil narra a história de que se um casal tiver sete filhas mulheres sem ter nascido um único homem, a filha mais velha deve ser madrinha de batismo da mais nova. Caso não ocorra, umas delas passam a ser bruxas, se transformam em mariposa e sugam a vitalidade das crianças.
Mas do que personagens vítimas da Inquisição, as bruxas fazem parte da cultura popular brasileira e em muitos lugares ainda existem práticas que ocorreu no velho país.



segunda-feira, 18 de junho de 2012

Comadre Fulozinha: a dona das matas

Para quem vive nas cidades com alto índice de urbanização, falar de Comadre Fulozinha parece coisa boba, mas para quem vive na zona da mata de Pernambuco e Paraíba, a presença da Comadre é real. Muitos já escutaram histórias de pessoas que apanharam da criança de cabelos negros e assanhados. Como professor de história de alunos que residem na zona rural de Araruna, é comum escutar aparições da Fulozinha.
Sua origem é provavelmente no período colonial e sua história se confunde com a de personagens da mitologia brasileira tal como o saci e o curupira. Trata-se de uma menina que se perdeu na mata e faleceu desnutrida, seu espírito ficou perdido na mata e com o tempo ela passou a aterrorizar aldeias e fazendas.
Algumas leis foram postas para que a Fulozinha não ataque as pessoas. Uma delas é não chamá-la de cabloca, outra é sempre levar mel e fumo como oferenda. Em tempos de problemas ambientais, a Comadre também aparece como protetora das matas. 
Dona Lourdes Cavalcanti conta que seu irmão José, na década de 1930 chegou em casa assustado, pois viu seu cachorro levar uma surra da Comadre. O tio de um aluno já foi perseguido por ela. São muitas as histórias. Durante a noite ela é mais assustadora, pois seus cabelos negros viram chamas.
A população da Zona Rural a respeita e buscam não atormentá-la. Furtiva, vez por outra ela faz traquinagens dando tranças em rabos de cavalo e roubando fumo e mel. Para enganar e despistar sua presença, ela dá um assobiou parecendo estar de distante e quando menos se espera ela chega de surpresa.
Mitos e lendas referentes a seres imaginários são comuns a todos os lugares, não prioritariamente da população rural. No município de Araruna e em outros lugares destaca-se a história de Comadre Fulozinha. Em outras cidades, o assunto é levado mais a sério, tal como a história do Lobisomem de Jequitinhonha - MG  , a princesa de Jericoacoara - CE, e o Cabloco D`água que aterroriza a cidade de Barra Longa - MG. O último foi organizado até uma associação para caçar a criatura e que também foi parar no noticíario do Jornal Nacional


No caso de Barra Longa, o personagem serviu como referencia cultural do município, Comadre Fulozinha não chegou a tanto, mas até que merecia. Em breve publicaremos várias histórias da Comadre e como a mesma faz parte do imaginário ararunense. Talvez, quem saiba, depois de tantos aparecimentos da mesma por Araruna, as autoridades da Educação não a utilizem como figura cultural do município em vez de comtemplar apenas a mula sem cabeça, o saci, o curupira e o lobisomem no dia do folclore, personagens que mal apareceram na Serra paraibana.



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