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sábado, 7 de julho de 2012

Ronaldo Cunha Lima: além do poeta



Faleceu nesta manhã por causa de insuficiência respiratória o ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima. Nascido no município de Guarabira, Ronaldo pertencia a uma tradicional família paraibana, os Cunha Lima, que até os dias atuais estão no poder no município de Areia.
Sua vida política começou no período democrático pós-1945. Elegeu-se inicialmente como vereador de Campina Grande com 942 votos, pertencia ao Partido Trabalhista Brasileiro e seguiu primordialmente ideologias de esquerda. 
Ronaldo neste período fez parte de um grupo  de oradores que o preparou para galgar cargos mais altos na vida política. Destaca-se neste grupo políticos como João Agripino, Raymundo Asfora e Pedro Gondim.
Ronaldo Cunha Lima formulou discursos cativantes em suas primeiras campanhas política todas escritas em versos que incluíam críticas e ironias referentes aos adversários.

No princípio era o verbo, aí vieram os Gaudêncio e os transformaram em verba; depois vieram os Agra e ficou só o princípio.

Ronaldo além de participar da política de redemocratização do Estado Novo participou no mesmo processo pós-Ditadura Militar. Inicialmente como prefeito de Campina Grande e logo depois como governador da Paraíba entre 1990 e 1994.
Foi um político ligado a mudanças ocorridas em seu tempo sempre atento as formas de discursos a ser utilizadas em campanhas políticas. Além do poeta e do político ele foi um sujeito histórico peculiar a cultura política paraibana que daria uma ótima tese de doutorado.


segunda-feira, 14 de maio de 2012

O interventor Gratuliano Brito e a Revolução Constitucionalista




Gratuliano Brito assumiu a interventoria com dois grandiosos obstáculos: a seca de1932 que assolava inclusive sua terra natal e a ameaça da Revolução Constitucionalista em São Paulo. Assim, o discurso revolucionário esteve presente em quase todas as páginas do jornal A União, durante seus dois primeiros meses. Gratuliano demonstrou ser um bom orador e sempre trouxe à tona o “espírito” de João Pessoa nas horas de atribulações.
            Em julho de 1932, dias depois de Gratuliano Brito assumir a interventoria da Paraíba, estourou em São Paulo a Revolução Constitucionalista liderada pelos antigos oligarcas paulistas que perderam privilégios durante o Movimento de 1930.  Durante a “Revolução”o Partido Democrático era rival do Partido Republicano Paulista (PRP) encabeçada por Júlio Prestes. O Partido Democrático apoiou Vargas no Movimento de 1930 e esperava receber deste os mesmos privilégios que tinham o PRP na República Velha, fato que não aconteceu. Além disto, eles estavam insatisfeitos com a presença do interventor pernambucano João Alberto, devido ao fato deste ser “forasteiro”. Ainda compunham a oposição paulista a Vargas, os cafeicultores e militares descontente com o privilégio dos tenentes.  
            Para amenizar a crise política com São Paulo Vargas lançou um Novo Código Eleitoral e um decreto marcando as eleições para 3 de maio de 1933. Ao mesmo que nomeou um interventor paulista e civil, Pedro de Toledo. Mas como afirma Skidmore (1932, p.37):

O Estado e a cidade de São Paulo tinham um tal complexo de superioridade em relação ao resto do Brasil que um movimento de oposição ao govêrno federal poderia ganhar muitos adeptos que nada tinham de comum, além da sua apaixonada qualificação como paulistas.

Em 9 de julho de 1932 São Paulo iniciou a revolta que ficou conhecido como Revolução Constituição. Vargas detinha grande apoio militar, com exceção de alguns quartéis do Mato Grosso. Além do mais, ele teve a colaboração dos soldados dos Estados que participaram mais ativamente no Movimento de 1930. São Paulo foi cercada pelo Rio Grande do Sul ao sul e por Minas Gerais e os estados nordestinos ao Norte, incluindo as forças militares da Paraíba, motivo de reavivamento do discurso “revolucionário” dos aliancistas.
            Quando Gratuliano Brito soube da Revolução Constitucionalista de 1932, estava em Cajazeiras, cidade do alto sertão paraibano. Este recebeu um telegrama do Ministro Francisco Campos, que descrevia a revolta no Estado do Mato Grosso. Imediatamente, Gratuliano respondeu o telegrama e notificou o retorno para a capital, para prestar apoio ao governo central[1]. O espírito revolucionário de 1930 tinha retornado no discurso dos “aliancistas”. Como retorno da tensão dos 70 dias antecedentes do Movimento de 1930, a Paraíba se viu num verdadeiro campo de batalha.
            Gratuliano, jovem interventor e que teve grande apreço pela “Revolução”, trocava constantemente telegramas com o interventor Flôres da Cunha do Rio Grande do Sul, relembravam os tempos gloriosos da vitória de outubro e incentivavam a soldadesca a salvar a República[2]. Dois discursos foram publicados por Gratuliano Brito de incentivo aos soldados que marchavam para São Paulo. Nota-se que em ambos os discursos, “a Revolução” de 1930 era a garantia de vitória das tropas.[3] A semana de envio das tropas era uma semana de “co-memorações” em relação a morte de João Pessoa e ao dia do Nego. Assim, os primeiros dias do Governo de Gratuliano Brito foram conturbados e voltados diretamente contra a Revolução Constitucionalista.


[1]A UNIÃO, 12 de jul. 1932, p.1.
[2]A UNIÃO, 18 de jul. 1932, p.1.
[3] “Marchae soldados da Parahyba, que a victoria é certa. Só tenho duas coisas a pedir-vos; no aceso do combate, lembrae-vos de que antes de tudo sois parahybanos e que o espírito de João Pessoa paira por sobre vossas cabeças, iluminando as vossas trincheiras e abençoando a vossa bravura”. A UNIÃO, 21,jul,1932.p1. No dia do Nego, Gratuliano publicou o seguinte discurso: “Vede bem; não combatemos São Paulo e sim meia dúzia de políticos oportunistas que, abusando da irreflexão de uma mocidade civil e militar, culta e vibrátil, desencadeia uma lucta fratricida e fica nos gabinetes para usufruir depois os proventos do seu plano. Marchae, soldados da Parahyba, que a victória é certa”. A UNIÃO, 29 de jul,1932,p.1. 


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Discursos e enigmas do Tiroteio de São José dos Cordeiros (1935)

1° Versão - A dos Brito!!!

            20 de agosto de 1935, o pequeno distrito de São José dos Cordeiros, situado na caatinga do Cariri Paraibano, estava em plena campanha eleitoral. Os correligionários de Tertuliano de Brito - primo do ex-interventor Gratuliano da Costa Brito – tinham acabado de chegar de Serra Branca, onde fizeram um comício. São José estava em festa, pois raramente este povoado recebia visitas de pessoas tão ilustres na vida política da região. Ocorria que em Serra Branca – distrito que estava em pleno desenvolvimento econômico devido aos recordes da safra de algodão – a família Brito tinha feito um discurso fervoroso contra família Gaudêncio, cheio de calúnias e humilhações. Os Gaudêncio se sentiram ofendidos e seguiram os rastros dos Brito até São José do Cordeiros. Quando lá chegaram, para cobrar respeito ao adversário, dispararam contra Tertuliano de Brito – no meio da festa - o que deu inicio a um árduo tiroteio, com baixas dos dois lados. Após o incidente, a população revoltada ateou fogo nas casas comerciais e nos armazéns de algodão das duas famílias. Um dos armazém de algodão queimou por semanas, e até hoje, a fumaça que subiu aos céus, está cravado na memória da população dos Cariris Velhos.

2° Versão - A dos Gaudêncio

20 de agosto de 1935, o pequeno distrito de São José dos Cordeiros, situado na caatinga do Cariri Paraibano, estava em plena campanha eleitoral. Os correligionários de Antero Torreão, cunhado dos irmãos Gaudêncio faziam um comício da chegada do ex-senador José Gaudêncio, anistiado do governo Vargas. Este feliz faz um discurso alegre por estar na terra que tanto amava. No meu do discurso um grito de Protesto. Um disparo e assim começou o tiroteio. O culpado foi o filiado dos Brito Líbio de Farias Castro que acabou morto ali mesmo por "aperto" de Oscar Torreão. Logo após a morte de Líbio, o professor Pascoal Trocoli, partidário da família Brito foi as ruas desafiar os Gaudêncio com a seguinte frase: “Atire aqui covardes”. Ascendino Gaudêncio ao escutar as provocações tomou determinada distância do professor e atirou certeiramente, o que ceifou a terceira vida no dia sangrento de São José dos Cordeiros. Na Igreja ao lado, o Padre Joaquim Gaudêncio rezava uma missa de batizado, muitos trocaram seus filhos no desespero. Logo após o incidente, Tertuliano Brito, justamente com sua milícia privada recuaram para São João do Cariri, quartel-general da família. Antes que a polícia estadual chegasse, os irmãos Durval e Oscar Torreão fugiram a cavalo para o município de Taperoá. Revoltada, a população ateou fogo na casa comercial e nos armazéns de algodão de Antero Torreão, pai de Oscar e Durval Torreão. Na memória da população, o salão de algodão pegou fogo por meses.

Duas versões!!!! Enigma na minha dissertação!!!!!!!

 Tertuliano Brito

 Os Gaudêncio


quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Política na Paraíba



O Estado da Paraíba, localizado no nordeste brasileiro carece de uma maior critica política sobre os seus governantes. A forma de governo na Paraíba possui forte traço personalista, onde nomes são mais respeitados do que partidos e ideais. Falta discussão política na sala de aula, não da política de mídia, mais uma política crítica, com seus valores enraizados em Aristóteles e condensados em Foucault. A participação política quando toma as ruas, se parece com um carnaval fora de época: cores, bandeiras, trios elétricos e refrães demonstram os ideais dos candidatos.
Outra característica de nossa política, vivenciada principalmente no interior, são os fortes laços entre as famílias que monopolizam as prefeituras em suas mãos e a população. Para conseguir um atendimento digno, num posto de saúde, “o cidadão” deve estar aliado ao comando da prefeitura. Em épocas de eleições, como é o caso de Araruna, cidade da região do Curimataú, a população se divide em dois times: o gato, que usa camisas verdes e os jacarés que usam camisas vermelhas, estereótipos são inventados, e a briga entre a população toma o lugar da discussão política sobre o melhor para o município.
O conhecimento histórico pode e deve contribuir para uma análise crítica da sociedade vigente. Para isto iremos nos debruçar sobre a utilidade da história política para o estudo da história local.
Segundo Carmelo Ribeiro de Nascimento Filho:

Uma das características centrais da política paraibana é o personalismo, que torna senão irrelevante, no mínimo secundária, a existência de partidos políticos, uma vez que a base da política na Paraíba até muito recentemente foram às famílias, mediadas ou não por uma estrutura partidária, de ordinário, facilmente manipulada,


A base do governo na Paraíba ainda está calcada nas famílias que trazem com si uma sólida base de sustentação política local. Assim, podemos afirmar que a partir da perspectiva da Nova História Política é possível fundamentar uma história local crítica.

domingo, 25 de março de 2012

Memória e Cotidiano do Bairro de Jaguaribe - João Pessoa - Paraíba

Amanhã será a defesa de dissertação de Juliana Barros de Oliveira. Segue abaixo o convite da defesa:

A Coordenação do PPGH-UFPB convida a comunidade acadêmica para a defesa daseguinte Dissertação de Mestrado:Título: "O Bairro de Jaguaribe na memória dos seus moradores idosos "Autora: Juliana Barros de Oliveira 

Banca: Profª Dra. Regina Célia Gonçalves - PPGH-UFPB (orientadora) Profª Dra. Regina Maria Rodrigues Behar - PPGH-UFPB (ex. interna) Profª Dra.Regina Beatriz Guimarães Neto - PPGH- UFPE (ex.externa) Profª Dra.Regina Coeli Nascimento - PPGH-UFCG (suplenteexterna)Prof. Prof. Dr. Ângelo Emílio da Silva Pessoa - PPGH-UFPB (suplente interno) 



O trabalho analisa os relatos da memória dos idosos do bairro de Jaguaribe em João Pessoa, capital da Paraíba. Jaguaribe é um dos bairros mais antigos da capital justamente com um dos maiores números de moradores idosos. 
Durante o século XX o bairro foi palco de diversas mudanças urbanísticas. Como a meta é evidenciar o cotidiano, a memória dos idosos é fonte por excelência para observar as mudanças e permanências no bairro. Isso principalmente em relação às festas, às ruas, às relações de trabalho, entre outros.
O trabalho de Juliana Barros de Oliveira é importante para observamos a cultura histórica dos bairros, isso a partir da memória dos moradores.
Jaguaribe, bairro em que já morei, possui uma especificidade que difere dos outros bairros formados por conjuntos. De certa forma, Jaguaribe parece ser mais João Pessoa.
Além de uma defesa a ser assistida, é uma dissertação a ser lida!!!
A defesa ocorrerá amanhã na sala 500 do CCHLA na UFPB, às 14:00.


segunda-feira, 31 de outubro de 2011

João Pessoa x Campina Grande: as rivalidades entre cidades e a constituição de culturas históricas

É comum cidades construírem identidades em oposição a outras, principalmente cidades vizinhas. Na Paraíba isto acontece entre Araruna e Cacimba de Dentro, Solânea e Bananeiras, Cajazeiras e Souza, Serra Branca e São João do Cariri e principalmente entre João Pessoa e Campina Grande. Este fenômeno é comum e faz parte da cultura histórica de cada cidade. Mesmo sem fazer uma pesquisa, tenho uma opinião sobre estas culturas históricas.
João Pessoa (antiga Parahyba), foi a cidade que iniciou a colonização da Paraíba, apesar que o sertão foi conquistado com levas de exploradores que vieram de Pernambuco. Assim, desde 1585, a cidade onde o sol nasce primeiro foi sede política e sua história é repleto de fatos que marcaram a Paraíba e o Brasil como o Movimento de 1930. João Pessoa é capital política por direito. Imbecilidade é afirmar que isso ocorre devido ao fato desta ter praia!
Já Campina Grande é uma cidade estratégica na Paraíba. Sua Cultura História é progressista, (daí a ideia de grandeza). Sua localização é passagem para todos que viajam do litoral ao sertão. Diferente de João Pessoa, Campina surgiu devido a interesses judiciários e econômicos. O ouvidor Brederodes, ao permitir a instalação da Vila Nova da Rainha, além de ganhos próprios, teve como intenção levar a lei ao sertão. A partir do século XIX, com a cultura do algodão, ela  foi a capital econômica da Paraíba, mas que, nos últimos 50 anos perdeu as forças e hoje dividi estes status com João Pessoa.

Campina Grande e João Pessoa são cidades diferentes e só para lembrar o discurso de Ricardo Coutinho após a vitória no primeiro turno ano passado: "pela primeira vez João Pessoa e Campina Grande se uniram". União? Que união? Coloque um campinense e um pessoense numa mesa-redonda para discutir História da Paraíba, a discussão vai longe...


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O MITO "CÁSSIO"!!!!

Todos os jornais da Paraíba estão destacando no momento a autorização do Supremo Tribunal Federal que dá posse imediata à Cássio Cunha Lima ao senado federal. Em 2009, Cássio foi cassado por abuso de poder econômico. De lá pra cá, criou-se o mito "Cássio", aquele que é querido pelo povo, mas que é injustiçado pela classe política dirigente (que no âmbito nacional é o Partido dos Trabalhadores e estadual o PMDB).
Sempre perseguido pelo ex-governador José Maranhão, Cássio - jovem, com lábia e boa aparência - soube reverter a perseguição dos adversários em idolatria para com seus eleitores. Nas eleições do ano passado, o mesmo foi a principal figura. Pois os votos adquiridos pelo atual governador Ricardo Coutinho, de Campina Grande até o sertão foram graças ao prestigio do tucano na região. Outro mito passou a ser criado: só ganha as eleições quem Cássio apóia. Na mesma eleição, Cássio recebeu mais de hum milhão de votos, mas devido a Lei Ficha Limpa, o TRE barrou a posse. De lá para cá o mito cresceu mais e hoje, a posse de Cássio é festejada em toda a Paraíba, tal como um herói que retornou da guerra. O Mito está construído, o novo senador é idolatrado, festejado, amado! Ricardo e Cícero Lucena comemoraram a posse não por acaso, mas porque sabem da força do Mito. Mas pra mim, ele continua sendo um homem que foi cassado por abuso de pode econômico, mas apesar de tudo, por este representar mais o "amor" do povo paraibano, prefiro ele do que Santiago na cadeira do senado. Pelo menos o Cássio sabe o que é o ENEM!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O Governo de Anthenor Navarro na Paraíba (1930-1932) Parte II

Devido a participação da Paraíba na Aliança Nacional e a desgastante Revolta de Princesa, o estado estava com suas divisas esgotadas. Cabia a Navarro sanear a carência econômica do Estado. Assim, foram nos municípios que o novo interventor mais atuou. Primeiro, ele tentou acabar com o filhotismo, pois exonerava e transferia funcionários durante todo o seu governo. Além disso, em várias cidades, como em Araruna, ele nomeou prefeitos tenentes, livres da imposição dos chefes locais.
            Mas, a medida, que mais mexeu na administração dos municípios, foi a reorganização das Mesas de Rendas. Anthenor Navarro foi mais “abusado” do que João Pessoa ao moralizar a coleta de impostos. No governo João Pessoa, as cidades que apoiavam a oposição não obedeciam as ordens do Governo Estadual. Assim, em várias cidades da Paraíba, as Mesas de Rendas ainda eram “saqueadas” pelos chefes locais. Duas medidas foram tomadas para a moralização fiscal do Estado. Primeiro, substituiu os fiscais que fossem “filhotes” dos chefes políticos. Segundo, desmembrou as Mesas de Renda em vários distritos. Alguns distritos passaram a ter o seu comércio fortalecido devido as transações comerciais serem facilitadas pelas Mesas de Renda. Assim, se beneficiou os comerciantes e o Estado teve garantia continua de arrecadação de impostos.


domingo, 11 de setembro de 2011

Três bons e dois péssimos livros de História da Paraíba!!!

Vamos começar pelos três melhores:


O meu predileto é Guerra e Açucares o de Regina Célia Gonçalves. Está para ser escrito um livro sobre a Conquista da Paraíba numa linguagem cativante e séria!




Meu segundo é A Revolta de Princesa Inês Caminha Lopes Rodrigues. Além de detalhista nas notas de roda pé, sua narrativa é apaixonante. Sobre o tema, é o melhor livro que conheço.


Por último foi o livro que me fez gostar de História. Na verdade, foi meu primeiro livro de História, o ganhei quando fazia a 5° série, tinha 12 anos. O interessante é que hoje sou colega de Dr° Humberto, sexta passada trocamos ideias sobre Araruna. O livro intitula-se O Velho Marcado de Araruna e seus arredores Humberto Lucena de Fonseca.






Meus dois piores. São livros muito ruins mesmo. Com narrativa fraca, que você começa a ler e ver constantemente quantas páginas falta para acabar. Se ler por gosto, desiste na 1° página. Os dois são ruins mesmo de leitora. Revolta e Revolução de José Joffily e outro é Sociedade e Poder Político no Nordeste: só a apresentação por "nomes ilustres" toma a metade do livro. 


O Governo de Anthenor Navarro na Paraíba (1930-1932) Parte I

A escolha de Anthenor Navarro para interventor da Paraíba veio da indicação de Juarez Távora, principal conspirador da “Revolução” no Nordeste.  Navarro buscou dar continuidade a reforma política iniciada por João Pessoa e sua escolha, se deu ao fato de seu perfil político. Segundo Santos Neto: 

(...), o que ocorreu foi a incorporação, à conduta administrativa de Anthenor Navarro, dos princípios da centralização estatal defendidos por aquele presidente (João Pessoa), ou seja, a consolidação da ação intervencionista de Anthenor Navarro passou, necessariamente, por essa incorporação haja visto a comoção social e a crescente mitificação das ações administrativas de João Pessoa.

            Se no governo de João Pessoa as oligarquias sofreram, com Anthenor Navarro elas se desesperaram.  As reformas administrativas de Navarro tinham como alvo principal os municípios que estavam ainda influenciados pelo comando dos chefes políticos. Devido a participação da Paraíba na Aliança Nacional e a desgastante Revolta de Princesa, o estado estava com suas divisas esgotadas. Cabia a Navarro sanear a carência econômica do Estado. Assim, foram nos municípios que o novo interventor mais atuou. Primeiro, ele tentou acabar com o filhotismo, pois exonerava e transferia funcionários durante todo o seu governo. Além disso, em várias cidades, como em Araruna, ele nomeou prefeitos tenentes, livres da imposição dos chefes locais.
            

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A santificação de João Pessoa em São João do Cariri em 1931

O cronograma projetado para a semana cívica em decorrência da morte de João Pessoa, em 1931, escrito por membros da família Brito[1], demonstra bem a mistificação da família como arautos da “Revolução” de 1930 em São João do Cariri. Não menos importante do que o hasteamento da bandeira do Nego[2] no dia 19 de julho de 1931. Três fatos chamam a atenção a mistificação construída pela família Brito. O primeiro fato ocorreu no dia 26 às 12:00 horas: “Exposição do retrato do presidente João Pessoa no Edifício da Prefeitura Municipal, sendo nessa ocasião cantado o hymno a “João Pessoa”, pelos alunos das escolas, acompanhados pela banda de música”. O primeiro fato demonstra a construção de símbolos em torno do mito “João Pessoa”, do qual até mesmo os estudantes eram doutrinados e senão, obrigados a cantar o hino ao “mártir”.
O segundo fato é mais estrambólico ainda, ocorrido uma hora após cantarem o hino houve “distribuição de esmolas aos pobres pelas professoras d. Ana Cavalcante e Albertina Ramos”. O fato de dar esmola numa data de “co-memoração” tem sentido estritamente político. Fica claro a construção do “político bondoso” em prol da memória do “bondoso” presidente da Paraíba. Os Britos eram amigos de João Pessoa, os Britos eram bons, eles davam esmola que nem João Pessoa. Apesar de que João Pessoa, em sua administração, não adotou práticas populistas. Assim, os Britos estavam a construir uma imagem de salvadores.
O terceiro fato evidencia o papel religioso que João Pessoa estava representar na população de São João do Cariri: “Passeata cívica percorrendo as principais ruas da cidade, sendo conduzido o retrato do presidente João Pessoa, por duas senhoritas, e ouvindo-se no percurso vários oradores”. Não é difícil perceber que João Pessoa estava em transformação de uma entidade politica para religiosa, nas homenagens em São João do Cariri, ele era um santo. Se apoiar na imagem de João Pessoa foi uma estratégia política que os Britos utilizaram para angariarem a permanência da chefia política do município.

Funeral de João Pessoa

[1] A UNIÃO, 18 de jul. 1931, p.3.
[2] Atual bandeira da Paraíba, que simboliza o luto e o sangue de João Pessoa. O “Nego” faz referencia a negação do apoio de João Pessoa à candidatura de Júlio Prestes.


terça-feira, 6 de setembro de 2011

Notas sobre a Família Costa Ramos: família política do Cariri

Segundo Tarcízio Medeiros e Martinho Medeiros (1989, p. 14), as famílias de maior prestígio politico do Cariri[1] eram descendentes diretos da união entre o Capitão-mor Domingos de Farias Castro e Isabel Rodrigues de Oliveira[2] que viveram em Cabaceiras durante o século XVII[3].
A família que prevaleceu durante o Império foi os Costa Ramos.  O chefe da família durante o Segundo Império foi Elias Eliáco Eliseu da Costa Ramos. Foi Promotor Público entre 1863 e 1878, Curador Geral entre 1866 e 1878 e Juiz de Direito entre 1894 e 1895. Na política, assumiu o cargo de Deputado Provincial cinco vezes e ajudou a eleger para o mesmo cargo seu irmão e seu filho, o padre José Ambrósio e Abdias da Costa Ramos. Elias Eliáco chegou a assumir até mesmo a vice-presidência do Estado. Nota-se que a riqueza da família era predominantemente rural, pois este herdou as fazendas do Major Domingos da Costa Ramos, através do casamento com sua prima, filha do Major[4].  
Nota-se que todos os membros da família que tiveram cargos legislativos eram provenientes do poder judiciário, influência que perdurou até na República Velha. Como afirma Trigueiro (1982, p. 42):

Na Primeira República, a Paraíba foi um dos Estados em que era mais visível a confusão da magistratura com a política. Transitava-se facilmente de uma para outra, sendo praticado e tolerado, sem objeções, o exercício simultâneo de mandatos políticos e da atividade partidária com as funções da magistratura.

Um exemplo de político magistrado da família Ramos foi o caso de Abdias da Costa Ramos. Este foi juiz de Direito da Comarca de Soledade e de Monteiro, em 1904 foi juiz em Cuité. Foi deputado da Assembléia da Paraíba entre 1891 e 1892 e prefeito de São João do Cariri entre 1915 e 1922. A família Costa Ramos apoiava Álvaro Machado, e defendeu a oligarquia alvarista contra Artur Santa Cruz de Alagoa de Monteiro, que revoltado, buscou conquistar São João do Cariri pelas armas em 1912, para pressionar Hermes da Fonseca a depor João Machado[5] da presidência do Estado. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.261)
Abdias da Costa foi o último baluarte da família Ramos, seus filhos não seguiram carreira política, alguns migraram para o distrito do Congo, outros para Campina Grande[6] e outros para o Rio de Janeiro. Como Epitácio Pessoa passou a ser chefe supremo do PRCP, este reformulou o partido e instituiu delegados em cada município do Estado. Em São João do Cariri Epitácio Pessoa escolheu José Gaudêncio Correia de Queiroz (CAMINHA, 1989, p.205). Aos poucos Abdias da Costa cedeu o poder para a família Gaudêncio.
O nome Gaudêncio passou a ser capital simbólico da família devido a influência de José Gaudêncio na política do Estado durante a oligarquia epitacista. Antes dele, ao observarmos a genealogia política dos Gaudêncio, o último que obtivera uma carreira política foi José da Costa Romeu em meados do século XVIII. José Gaudêncio levou a família à política e destituiu os Costa Ramos do domínio de São João do Cariri.


[1] Destacam-se os Farias Castro, Castro Farias, Farias Cavalcante, Brandão, Barros Leira, Romeu, Costa Ramos (tronco que originou os Costa Brito),  Correia de Queiroz (tronco que originou os Gaudêncio) e Sousa Varjão.
[2] Isabel Rodrigues de Oliveira era filha de Pascácio de Oliveira Ledo. Os Oliveira Ledo foram as famílias que conquistaram o sertão paraibano durante o século XVIII.
[3] Sobre a conquista do Cariri, ver dissertação de Entre a Pré-História e a História: em busca de uma cultura histórica sobre os primeiros habitantes do Cariri Paraibano de Adriana Machado Pimentel de Oliveira (2009).
[4] Genro de José da Costa Romeu, herdeiro primordial de Domingos de Farias Castro. Assim, observamos que desde a conquista do Cariri, o capital simbólico (família) e o capital econômico (fazendas) foi passada por gerações na mesma família.
[5] Irmão de Álvaro Machado.
[6] Foi de Campina Grande que o marido da neta de Abdias Ramos, Rosil de Assis Cavalcante, compôs as músicas “Meu Cariri” e “Comadre Sebastiana” cantada por Luís Gonzaga. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.261)
[7] Neta do Capitão-mor Domingos de Farias Castro.
[8] José da Costa Romeu era português da região de Cheleiros, multiplicou os bens de seu sogro – Domingos de Farias Castro – e passou a ser o homem mais rico e poderoso do Cariri paraibano durante a primeira metade do século XVIII. Seus sobrinhos patrocinaram o petitório para a Instalação da Vila Nova da Rainha ser na povoação de Nossa Senhora dos Milagres do Cariri – atual São João do Cariri.  Mas o Ouvidor Andrada Brederodes por questões pessoais instalou na atual Campina Grande. José da Costa Romeu casou-se duas vezes e manteve parte da riqueza concentrada no seio familiar, nas mãos de seu primogênito. Tanto Brito quanto Gaudêncio são descendentes diretos de Costa Romeu.
[9] Nota-se que na 3° geração da família de Domingos de Farias Castro, a família Brito e a família Gaudêncio era a mesma. (MEDEIROS, T.D; MEDEIROS, M. D, 1989, p.206)
 Paróquia de Nossa Senhora dos Milagres - São João do Cariri 

sábado, 3 de setembro de 2011

A Morte de João Pessoa: significados para um movimento político

26 de julho de 1930. No final daquele dia, no por do sol, na Biblioteca Pública da capital da Paraíba, uma pequena multidão recebeu uma notícia bombástica: mataram o presidente João Pessoa. “Desorientados” e catatônicos, ficaram meia hora no local, pois não estavam a acreditar nos fatos ocorridos na Confeitaria Glória no Recife. Ao acordarem para realidade, saíram imediatamente do local e seguiram para uma esquina próxima onde se localizava o sobrado da família Gaudêncio. Derrubaram o portão principal e invadiram o casarão. Cadeiras, estantes, quadros, roupas, utensílios domésticos passaram a serem arremessados pelas janelas. A noite passou a ser iluminada pela fogueira que queimava os objetos do então Senador José Gaudêncio. Naquele momento, um deputado “perrepista” passava pelo local e pedia calma, se este não tivesse corrido, teria perdido a vida.
            Este foi um dos episódios ocorridos durante um período de grandes transformações na Paraíba. Num contexto mais amplo, tratava-se do Movimento de 1930 que “pôs fim” a política dos governadores instaurada pelo presidente da República Campos Sales e deu inicio ao governo de Getúlio Vargas. Assim, o movimento teve dois conteúdos precisos, o primeiro refere-se a uma revolução política do qual ocorreu uma substituição de homens no poder (civil); o segundo, uma transformação estrutural que se iniciou com o movimento tenentista em 1922 (militar).
            Para Octávio Ianni, a revolução foi um movimento que encerrou o período liberalista característico da República Velha e uniu num mesmo projeto, a sociedade e o Estado, num mundo predominantemente burguês. As mudanças globais, ocorridas com a I Grande Guerra Mundial e a Crise Econômica de 1929, esgotaram o modelo econômico brasileiro que protegia a exportação do café.
            O Estado protegia os cafeicultores e eram por estes dirigidos.  Logo, na sucessão presidencial, havia uma alternância entre Minas Gerais e São Paulo para assumir a vaga presidencial. São Paulo devido ao seu poder econômico, Minas Gerais por ter um amplo “curral” eleitoral. A “imprudência” do Presidente paulista Washington Luís em escolher para sucessor também um paulista, Júlio Preste, inovou a formação de um partido de oposição denominado Aliança Liberal. Formado pela aliança de três Estados – Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. A chapa encabeçava o gaúcho Getúlio Vargas como presidente e o presidente da Paraíba, João Pessoa, como vice. As eleições ocorreram em 1° de março de 1930. O pleito, com todos os vícios da República Velha, deu vitória ao presidente paulista Júlio Prestes. Mas em 30 de março do mesmo ano, Vargas se manifestou ao acusar as fraudes eleitorais e os maus costumes da política nacional. Semanas depois, radicais como Oswaldo Aranha e Lindolfo Collor contataram descontentes que residiam na Paraíba, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Um esperava pelo outro para ter alguma iniciativa até que um fato mudaria a situação: a morte de João Pessoa.


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