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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Maze Runner: Correr ou morrer... Um livro sobre liberdade (ou a falta dela)



Maze Runner: Correr ou morrer é o primeiro livro de uma série escrita pelo americano James Dashner. Trata-se de literatura infanto-juvenil, mas que atraiu a atenção de muitos adultos no mundo todo. 
A Palavra Utopia significa lugar nenhum e é isto que Maze Runner é. Até onde me lembro, nunca tinha lido um livro com um começo tão misterioso quanto este, tanto... que qualquer coisa eu possa descrever deste livro passa a ser spoiler. Um garoto aparece dentro de uma gaiola num mundo totalmente estranho rodeado por adolescentes que o chamam de trolho e cara de mértila. A partir daqui não posso falar mais nada...
Em geral adorei a narrativa e o li em três dias. Trata-se de uma realidade alternativa (ou distopia). Um ambiente que apresenta uma organização social eficiente, mas que carrega em seu bojo o sentimento da falta de liberdade. Presos numa clareira localizada no centro de um enorme Labirinto, os jovens tiveram que aprender a sobreviver sobre regras fortíssimas, mas o que eles não esperavam era a mudança. Tudo muda com o tempo, só que a mudança descrita no livro foi drástica e força o grupo a quebrar suas regras. A cada quebra de regras uma novidade, e aquilo que parecia ser (que nem a caverna de Platão), deixa de ser.
A Liberdade (a liberdade é uma jaula mais espaçosa) é um dos temas que pode ser trabalhado com o livro. Nos dá a sensação de que aquilo é a nossa vida. Fomos colocados na Terra sem lembrança de nada sobre o universo e tivemos que aprender a sobreviver a partir de regras sociais, não estamos acostumados a mudanças e quando elas acontecem, nos desesperamos. Outra pergunta que nos faz pensar: se tudo está em ordem para que mudar? O livro traz uma resposta - mudar para conhecer... conhecer para ser livre... Daí o conhecimento - que aparece como mistério do Labirinto - lembra muito a ideia de Aristóteles sobre a felicidade, apenas o conhecimento pode nos fazer felizes. O livro deixa essa dúvida do qual poderemos ter uma resposta concreta ao ler a Prova de Fogo, continuação da série.
O livro é muito bom e em nenhum momento cansa o leitor. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Catástrofe: a Primeira Guerra Mundial


Leitura tão demorada quanto a guerra.
Senti necessidade de ler algo sobre a Primeira Guerra Mundial nestes 100 anos de rememoração. Fiquei na dúvida se lia "A Beleza e a Dor" de Peter Englund ou o "Horror da Guerra" de Niall Ferguson. Mas os dois me desencantava... O primeiro por se tratar de história das sensibilidades e o segundo porque li um livro de Ferguson e notei que não tinha tirado tanto proveito. No começo do mês me deparei com este livro na Livraria Saraiva e resolvi compra-lo. Muito bem ilustrado, com mapas, uma belíssima capa e uma vontade de ler enorme, já que o livro demonstrou ser muito elogiado-resolvi compra-lo por uns 50 reais.

Comecei a leitura querendo ler tudo em quatro dias, passei quase 15. Assim como a Primeira Guerra, o livro ultrapassou minhas expectativas de tempo de leitura. O Max Hastings é mais um jornalista curioso do que um historiador jornalista. O começo do livro foi encantador, nos cerca da atmosfera de nacionalismos, paixões e burrices políticas de todos os países participantes. Inicialmente ele me prendeu, na preparação e nas batalhas sua narrativa era impecável (de acordo com uma linguagem jornalistica e não historiográfica). Mas batalhas, estrategias e novamente batalhas me levaram ao cansaço. As vezes até me perdia na leitura e tinha que voltar um parágrafo para ler de novo. Cheguei a pensar que o livro não terminaria nunca. O mais proveitoso (se eu soubesse antes teria lido "A Beleza e a Dor") foi o cotidiano da guerra: cartas, histórias, mortes, sobrevivência de feridos, abates de batalhões inteiros. Ele não focou apenas na História Militar (que era as partes mais chatas do livro), mas em toda repercussão que os vários fronts traziam para dentro e fora da guerra.

Esperava mais, mas não me arrependo de te-lo lido.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

A Idade de Ouro ou a busca da felicidade de Minois



Uma das perguntas mais frequentes em aulas de psicologia ou filosofia é o que procura o homem? Todos pensam e refletem, mas nada sai da cabeça. O professor então com um sorrisinho maroto responde: "a felicidade", "todos nós queremos ser feliz". Mas o que é a FELICIDADE? O conceito é um dos temas mais frequentes da filosofia, dos escritos de Heráclito até os pós-modernos, alguém sempre quis afirmar o que é a felicidade. Penso que nunca iremos chegar a uma resposta, pois o conceito de felicidade (assim como todos os outros conceitos) mudam com o tempo. Então prefiro trabalhar o tema de forma mais histórica do que filosófica. É o que faz de maneira esplêndida o historiador francês Georges Minois no livro A Idade de Ouro: história da busca da felicidade.  A partir do Mito da Idade de Ouro de Hesíodo até a felicidade do gene, Minois descreve a busca da humanidade para alcançar a felicidade.   
O livro possui uma leitura agradável com a exposição de vários documentos sobre o conceito de felicidade escritas por filósofos e pensadores políticos.

 É uma leitura importante para quem estuda a formação da modernidade a partir dos ideais burgueses. Já que uma das motivações dos revolucionários franceses foi fazer uma sociedade acima de tudo feliz. Em alguns trechos fica claro a desistência dos humanos de procurar a felicidade, ou seja, nem todo momento ela foi positiva. 
Apesar da desistência de alguns, a felicidade sempre vai existir em algum canto, se não for na Idade de Ouro pode ser no futuro ou na vida após a morte, mas sempre a humanidade vai procurar a felicidade em algum canto, nem que seja na inexistência. A História da busca da felicidade mostra acima de tudo a fluidez desta mesma felicidade que tanto buscamos. Recomendo a todos esta obra. 
Georges Minois (1946-   )


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Baixe agora: "A sociedade Feudal" de Marc Bloch

Uma nova história foi escrita pelo historiador francês Marc Bloch: a sociedade, a psicologia, o direito consuetudinário, a economia entre outras facetas foram inicialmente expostas como novo campo historiográfico na obra A Sociedade Feudal publicado em 1939. Ainda hoje o livro é forte referência para quem estuda medievalidades. É de fato importante observar este escritor além da Teoria da História e não se surpreendam, ele não rompeu totalmente com a história metódica de Langlois e Seignobos, temos em sua escrita muito da história-processo. Leitura rica e empolgante. Baixe agora!



quinta-feira, 15 de março de 2012

Cinco Livros sobre o Coronelismo

Para quem gosta de trabalhar com este tema que as vezes nos dá muita raiva e de um ponto de vista cultural, nos dá muito prazer, indico aqui cinco livros essenciais para entender a natureza deste fenômeno político que ainda assola o interior do Brasil:

O primeiro é o clássico de Victor Nunes Leal, Coronelismo, Enxada e Voto. Comece por ele, pois este é citado em todos os outros livros:

 O segundo, trata-se de um capítulo da coleção História Geral da Civilização Brasileira, o volume 8. Lá está o artigo de Maria Isaura Pereira de Queiroz. O título do capítulo é O coronelismo numa interpretação sociológica.

O terceiro livro foi escrito por Marcos Vinicios Vilaça e Roberto Cavalcanti de Albuquerque. Coronel, coronéis: apogeu e declínio do coronelismo no Nordeste. Neste livro é apresentada a estrutura econômica, social e política de quatro casos de coronelismo no Nordeste.


O quarto livro narra a história do coronel pernambucano Chico Heráclio: Família e Coronelismo no Brasil: uma história de poder. André Heráclio do Rêgo, o autor, descreve a trajetória do coronel utilizando o conceito de "poder simbólico". As particularidades da vida do coronel de Limoeiro são bem apresentadas por um escritor que é de casa.


 O quinto livro narra o conceito de Coronelismo como invenção, enquadrando na tendência pós-modernista da História. A história Maria Lucinete Fortunato escreveu O Conceito de Coronelismo e a imagem do coronel: de símbolo a simulacro do poder local. Fortunato analisa os discursos acadêmicos juntamente com a construção da mídia referente ao conceito.


Façam uma boa leitura e aproveitem para discutir o tema, pois do jeito que estamos, o estudo do coronelismo pode nos ajudar a construir um país mais democrático.




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Livros que me fizeram gostar de ler!!!

O gosto da leitura começa cedo. E alguns livros a gente nunca esquece. Assim resolvi postar as capas dos livros que marcaram a minha adolescência até os 15 anos. A maioria foram paradidáticos que os professores me passaram no Fundamental II, outros foram presentes, mas todos, de uma maneira ou de outra, me fizeram gostar de ler, o que influenciou muito no meu gosto por Literatura e História. Não sei se foi progresso ou regresso, mas depois dos 15 passei a ler mais histórias em quadrinhos, especificamente da Marvel. Pois bem, não irei comentar os livros, falta paciência. Abraços!!











sábado, 24 de setembro de 2011

Livro comemorativo 50 anos da Anpuh!

Foi lançado recentemente em comemoração aos 50 anos da ANPUH (Associação Nacional de História) um livro sobre a produção historiográfica dos Estados brasileiros. Trata-se da história da história nos Estados. Sob a coordenação de Raquel Glezer, a história da Anpuh-Paraíba é privilegiada por um artigo escrito por Rosa Godoy Silveira. Vale a pena ter este livro na estante!!!! 
  

domingo, 18 de setembro de 2011

Três bons livros de História do Brasil!

Quando comecei o curso de História, só gostava de Grécia e Roma, mas alguns livros me fizeram gostar de História do Brasil. Destaco três:

O Primeiro foi Casa-Grande e Senzala de Gilberto Freyre. Apesar de  ser um clássico da sociologia, ele é um livro genial que aborda a formação social brasileira a partir das miscibilidade e da aclimatabilidade. Além disto, trabalha com a formação da família colonial - com a ideia de família extensa. É um livro "gostoso" de se ler.
O segundo foi "O Tempo Saquarema" de Ilmar Rohloff de Mattos. Livro da P...Explica como a elite brasileira se readaptou no poder durante a Independência até o II Império, assim como aborda as mudanças das relações sociais no momento da formação do Estado Brasileiro!

Por último apresento "O homem que inventou a ditadura no Brasil" de Décio Freitas. Tem muita gente que pode criticar este livro, "pô, isto não é história", mas li este livro numa disciplina de História no Mestrado, e ele é muito bom. Conta a história da Revolução Federalista vista por um jornalista inglês. Mostra o caráter de Júlio de Castilhos e como este positivista transformou o RGS numa escola de ditadores. Muito bom.


domingo, 11 de setembro de 2011

Três bons e dois péssimos livros de História da Paraíba!!!

Vamos começar pelos três melhores:


O meu predileto é Guerra e Açucares o de Regina Célia Gonçalves. Está para ser escrito um livro sobre a Conquista da Paraíba numa linguagem cativante e séria!




Meu segundo é A Revolta de Princesa Inês Caminha Lopes Rodrigues. Além de detalhista nas notas de roda pé, sua narrativa é apaixonante. Sobre o tema, é o melhor livro que conheço.


Por último foi o livro que me fez gostar de História. Na verdade, foi meu primeiro livro de História, o ganhei quando fazia a 5° série, tinha 12 anos. O interessante é que hoje sou colega de Dr° Humberto, sexta passada trocamos ideias sobre Araruna. O livro intitula-se O Velho Marcado de Araruna e seus arredores Humberto Lucena de Fonseca.






Meus dois piores. São livros muito ruins mesmo. Com narrativa fraca, que você começa a ler e ver constantemente quantas páginas falta para acabar. Se ler por gosto, desiste na 1° página. Os dois são ruins mesmo de leitora. Revolta e Revolução de José Joffily e outro é Sociedade e Poder Político no Nordeste: só a apresentação por "nomes ilustres" toma a metade do livro. 


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Três bons livros de Teoria da História!

É incrível a quantidade de pessoas de outras universidades que não a UFPB que eu conheço que não valorizam ou que não teve uma formação na área de Teoria da História. Alguns positivistas que nem se quer conhecem o positivismo, outros que gostam de escrever sobre a História da utilidade do pênis sem saber o que é História Cultural. Penso que um bom livro seja qual for merece uma introdução repleta sobre a teoria da história, principal objeto da historiografia. Para aqueles que querem adentrar esse fascinante universo da Teoria (que não deixa ninguém ateu) recomendo ler os seguintes Três livros de minha preferência:

O primeiro trata-se de Teoria da História de Patrick Gardiner. É uma coletanea de texto que vão de Vico até Toynbee. Da filosofia da História até a História quantitativa. 

O Segundo é um "longo resumo" da teoria e da metodologia da história escrita pelo espanhol Júlio Arostegui. Nele esta exposto todos os problemas atuais enfrentados pelos historiadores.
Por último é meu livro de Teoria predileto: Futuro Passado de Koselleck. Ele trata problemas como a mudanças de paradigmas inseridos no conceito de tempo histórico e utiliza duas categorias que ajudam em qualquer pesquisa: espaço de experiencia e horizontes de expectativas.



Obs: Nenhum é francês, trata-se de um inglês, um espanhol e um alemão. Depois deles três, leia Le Goff! 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Carestia dos livros: professor ganha pouco porra!

Como posso pagar 44, 37 (preço mais baixo de acordo com o site BuscaPé) para adquirir o livro Futuro Passado do Koselleck? Como posso pagar 55, 93 para comprar Casa Grande e Senzala, clássico de Gilberto Freyre? Como posso pagar 52, 73 para possuir o livro Palavras Chave de Raymond Willians? Isso ganhando o piso nacional de 980,00 (o mínimo que se pode pagar). É um absurdo, ainda mas, sem bolsa de mestrado, pois professores que são "ricos" não podem receber bolsas (isso apenas de acordo com alguns, segundo o presidente da Capes pode!). Fala-se de educação, mas ninguém esta preocupado com a  formação do professor, ele que se vire, e o que me deixa irado é que em algumas escolas, os professores ainda tem que dar do seu dinheiro para investir na instituição, pois estas não possuem recursos suficientes para uma boa educação. A revolta é grande, mas vamos ficar apenas nos livros... Professor não deveria pagar impostos ao comprar um livro, para dizer a verdade, ele deveria recebe-los de graça do governo, pois assim, daria um retorno  qualitativo para a população. Pelo amor do deus metal, vamos pensar um pouquinho e lutar por livros mais baratos!

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