Mostrando postagens com marcador Decadência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Decadência. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

O RETORNO DO ABSURDO



Dias sombrios estamos vivendo. Não me lembro de um período em que a extrema-direita aparecesse com tanta força desde o nazismo de Hitler. O que aconteceu em Charlottesville, no Estado da Virgínia nos Estados Unidos foi um absurdo. Centenas de homens e mulheres carregaram tochas pelas ruas da cidade fazendo saudações nazistas. Neonazistas, extremistas raciais sempre existiram no mundo ocidental, o problema é que eles foram para as ruas afirmar Sou nazista, sim, fato que a princípio é um absurdo, principalmente para quem trabalha na área de ensino como professor de Humanas. 

O que aconteceu para que um episódio assim viesse a tona? Coloco como causa principal a ideia de "fim da história" de Francis Fukuyama. Defendida em 1989, após a queda da URSS, a vitória da democracia liberal e do livre capitalismo levaram a evolução humana ao ápice, tínhamos assim alcançado o Estado ideal tal como previu o filósofo Hegel no século XIX. O mundo globalizado nos paralisou e as ideias findaram assim como os últimos resquícios da metafísica. Passamos a viver num mundo técnico, ápice da Revolução Industrial. Até nossas ações deixaram de ser ações próprias para serem frutos de experiencias neurológicas. O que sobrou? O vazio! O perigoso vazio cujo fruto é o absurdo.

Mas todo vazio serve de acúmulo. Alguns jovens preencheram esse vazio com a ideologia extremista do Estado Islâmico, uma minoria com as ideias marxistas, já saturadas, que pouco preenche este vazio. O vazio ocasionado pelo fim da história ganhou força quando Donald Trump, o candidato absurdo à presidência dos Estados Unidos, ganhou as eleições absurdamente. Seu discurso contra imigrantes juntamente com a proposta de construir um muro separando o país das maravilhas do México inflamou o discurso nazista.

Estamos vivendo tempos de ignorância. Ignoramos a História, ignoramos a Filosofia, ignoramos a Ciência. O pós-modernismo diluiu a História, o passado pode ser mudado ao bel prazer dos nazistas, assim, o Holocausto foi uma "invenção" historiográfica. A Filosofia por não ser basear em evidências experimentais e por não seguir a lógica de mercado, se perdeu em sua "própria" lógica, que organiza o discurso, mas que não diz nada, assim ela perdeu sua utilidade, fato que abriu espaço para falácias ganharem sentido tal como a supremacia negra sobre os brancos e o fato das mulheres dominarem os homens (esse discurso existe e tem milhares de defensores). A Ciência é desvalorizada em detrimento de discursos políticos (melhor exemplo é o próprio Trump sobre a questão ambiental), pseudociências são divulgadas como conhecimento em redes televisivas, nas escolas a Religião predomina quando o assunto é a Evolução, ETs, espíritos e teorias cientistas mirabolantes recebem mais atenção do que temas mais urgentes, mais humanos. Ou seja, como alertou Sagan no livro O Mundo assombrado pelos demônios, a ignorância está derrotando o conhecimento. E qual é o fruto da ignorância? O absurdo.

Estamos entrando num sonho tal como os nazistas entraram com a ascensão de  Hitler e só uma tragédia explosiva pode nos acordar. Espero que o conhecimento volte a predominar nestes tempos sombrios, antes que seja tarde e o absurdo nos devolva ao caos.            

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Maze Runner: Correr ou morrer... Um livro sobre liberdade (ou a falta dela)



Maze Runner: Correr ou morrer é o primeiro livro de uma série escrita pelo americano James Dashner. Trata-se de literatura infanto-juvenil, mas que atraiu a atenção de muitos adultos no mundo todo. 
A Palavra Utopia significa lugar nenhum e é isto que Maze Runner é. Até onde me lembro, nunca tinha lido um livro com um começo tão misterioso quanto este, tanto... que qualquer coisa eu possa descrever deste livro passa a ser spoiler. Um garoto aparece dentro de uma gaiola num mundo totalmente estranho rodeado por adolescentes que o chamam de trolho e cara de mértila. A partir daqui não posso falar mais nada...
Em geral adorei a narrativa e o li em três dias. Trata-se de uma realidade alternativa (ou distopia). Um ambiente que apresenta uma organização social eficiente, mas que carrega em seu bojo o sentimento da falta de liberdade. Presos numa clareira localizada no centro de um enorme Labirinto, os jovens tiveram que aprender a sobreviver sobre regras fortíssimas, mas o que eles não esperavam era a mudança. Tudo muda com o tempo, só que a mudança descrita no livro foi drástica e força o grupo a quebrar suas regras. A cada quebra de regras uma novidade, e aquilo que parecia ser (que nem a caverna de Platão), deixa de ser.
A Liberdade (a liberdade é uma jaula mais espaçosa) é um dos temas que pode ser trabalhado com o livro. Nos dá a sensação de que aquilo é a nossa vida. Fomos colocados na Terra sem lembrança de nada sobre o universo e tivemos que aprender a sobreviver a partir de regras sociais, não estamos acostumados a mudanças e quando elas acontecem, nos desesperamos. Outra pergunta que nos faz pensar: se tudo está em ordem para que mudar? O livro traz uma resposta - mudar para conhecer... conhecer para ser livre... Daí o conhecimento - que aparece como mistério do Labirinto - lembra muito a ideia de Aristóteles sobre a felicidade, apenas o conhecimento pode nos fazer felizes. O livro deixa essa dúvida do qual poderemos ter uma resposta concreta ao ler a Prova de Fogo, continuação da série.
O livro é muito bom e em nenhum momento cansa o leitor. 

quarta-feira, 12 de março de 2014

A Crise Política atual e suas críticas

Costumeiramente, críticas aos sistemas políticos atuais escancaram na mídia tanto da esquerda (Carta Capital) quanto da direita (Raquel Sheherazade). No centro da crítica encontra-se a questão da representação do Estado e da cidadania. Casos de corrupção, violência, censura, abuso de poder, etc... São temas fortes que promovem jornalistas e disseminam um estado de crise. 



Estamos vivendo o fim dos tempos tal como descreveu o filósofo Slavoj Zizek. Este coloca como uma das causas do fim da sociedade ocidental a crise do liberalismo: utopia que causa um desanimo profundo e gera uma depressão social sem precedentes. As pessoas vivem um hedonismo exacerbado numa democracia representativa ilusória, ou seja, as pessoas fingem que são livres e o governo finge que não é opressor.

Na verdade esta crise que faz que crer que estamos no final dos tempos é fruto da separação entre a política e a moral ocorrida durante a criação das monarquias absolutistas. O foro interior do indivíduo foi abafado e só o foro exterior pode ser admitido, isto sob a tutela política do Estado. Durante o século das luzes houve a tentativa de unir a moral à política sob a coordenação do Estado (trata-se da vontade geral rousseauniana). A classe burguesia - que se legitimava  como detentora da moral perante a política do Estado - para esconder suas intenções políticas utilizou da filosofia da história para afirmar que era detentora do futuro. Dizia ser apolítica, mas era política até os ossos. 

E o que vemos hoje é uma crise mal resolvida deste mundo burguês. Ninguém sabe como a democracia representativa "representa" seus cidadãos, pois parece que Estado e cidadania estão sempre numa queda de braço. Perante esta disputa ainda vivemos numa época de crise e crítica do Estado que nos parece estar longe de ser resolvida. 

Vivemos tempos de desesperança, consequência da crise. Passamos a imaginar um futuro decadente onde a tecnologia sucumbirá o Homem. O Cinema apocalíptico não nos deixa esquecer nossas alternativas... O Estado ou a falta dele alimenta nossa imaginação. Só falta saber até quando a crise perdurará... Marx tentou explicar.



Aconselho que antes de criticarem o PT ou Aécio Neves e suas formas técnicas administrativas, saibam que o problema que assola a representação do cidadão no Estado é tão antiga quanto a Democracia. Vá com calma companheiro.

Em breve pretendo explicar passo a passo a teoria de Koselleck sobre a Crise e Crítica do Estado Moderno.   



quarta-feira, 12 de junho de 2013

Vivendo no fim dos tempos



O liberalismo é uma utopia; devemos retornar a Hegel e ultrapassá-lo; o fundamentalismo é politizado na era pós-política; fingimos que o aquecimento global não existe; o sujeito perdeu a transcendência após o trauma causado pelo capitalismo; a democracia não é uma forma perfeita de regime político e deve ser superado para resolver os problemas comuns da humanidade e por fim devemos recomeçar o caminho evitando os erros do socialismo e buscar uma maneira de efetivar o comunismo. São estas e várias outras questões que são tratadas no livro Vivendo no fim dos tempos do esloveno Slavoj Zizek. O livro não é apenas para filósofos, mas para todos os estudiosos de todas as diversas formas de conhecimentos (do arquiteto ao motorista da Coca-Cola). Ele é provocativo e busca quebrar vários paradigmas postos na era pós-socialista. É um livro que reflete as contradições do capitalismo e sua maneira teológica de seduzir o outro. 
A sensação após a leitura é de que alguma coisa deve ser feita e não uma manifestação democrática do mais do mesmo para a mídia divulgar "Tá vendo! É a democracia! Todos têm liberdade de reclamar" Para barrar o trauma (como o desemprego em massa, por exemplo) é necessário ir a luta. O mas legal é que depois de cinco meses de leitura, vejo na internet a manifestação em São Paulo contra o aumento da passagem de ônibus. Mas uma manifestação que ultrapassa as fronteiras do respeitável democrático e que a mídia liberal utópica coloca os sujeitos traumatizados como vândalos e não como manifestastes que sofrem no Real.
Leitura importante em tempos de fim de mundo! 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O fim do mundo!!!!

Depois da Grécia, o terceiro maior endividado do mundo parece não conseguir sair do lugar. O problema não é a crise do capitalismo, isto já estava previsto, agora é o que fazer com este novo mundo. Temos problemas reais com a natureza, com a economia e com o sistema representativo da frágil democracia ocidental.
De onde tirar substratos para um novo mundo, da "Ocupação Wall Street"? Dos jovens rebelados da Grã-Bretanha? Dos estudantes "revoltosos" do governo de direita de São Paulo? Da religião? De onde? Se não existe mais ideologias, agora tudo é identidades! Os ismos não existem mais. Mesmo do meu pequenino mundo na Paraíba, temo pelo futuro de Mariana, minha filha. Espero que ela cresça consciente de todas estas diversidades e que a escola não seja apenas um lugar chato surreal. Quero que ela aprenda a sobreviver neste mundo de ideologias necrófagas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Movimento Ocupação Wall Street: novos protestos e cutucadas no Capitalismo!

"O mundo mudou 
Posso sentir na água, 
Posso sentir na terra, 
Posso sentir no ar. 
Muito do que havia está perdido 
pois nenhum dos que se lembram está vivo."
 


Nas últimas semanas, um fato daqueles que percebemos que faz parte das experiencias e expectativas da modernidade, não vem sendo privilegiado pela mídia. Mas é algo totalmente fruto de seu tempo, e que não devemos comparar com as glorificação da Revolução Russa ou Cubana e muito menos como algo inovador fruto da Ilustração. É algo novo, do momento: os protestos contra os ricos que manipulam o mercado financeiro a seus bel prazeres. Denomina-se "Operação Wall Street" que reuniu vários manifestantes em todo o mundo.

Os democratas americanos já apelaram acusando o movimento de luta de classes: algo desprezível então. Mas na verdade, de acordo com a mensagem do programa, são manifestantes que não aguentam mais terem suas vidas comandadas pelos bancos, principal medidor da estabilidade econômica da classe média. Me parece que o desejo de lucro continuo do capitalismo está sendo criticado pelos manifestantes. Não trata-se apenas como uma crítica nua e crua contra os bancos, mas contra aqueles que detém o domínio financeiro, ou seja, o 1% que manda e tudo. Não é um movimento claro, mas que trará mudanças frutíferas, isso eu penso que trará!


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Da decadência para a sacralização

            Sobre vastas discussões sobre a realidade, observamos dia após dia os problemas que afligem a humanidade: aquecimento global, superpopulação, terrorismo, pessimismo. Não é de agora que pensamentos sobre o fim ou a decadência da humanidade preocupam os filósofos ou correntes historiográficas. As discussões das causas de uma possível decadência humana são por vezes até barradas, como se não houvesse causas e nem mesmo decadência, mas sim uma continuidade material. A base da mentalidade que abrange uma civilização está vinculada a uma classe dominante, assim o pessimismo e apreensão convertida no mundo ocidental estão cravados nestas classes. Para esta classe que obteve uma visão cientificista do mundo, ou extremamente materialista, o mundo perdeu a sua mística, a sua sacralização, o que era sagrado agora é profano. Ocorre que muitos que previram a morte do sagrado como Karl Marx e Max Weber no século XIX erraram. As tais classes dominadas buscam uma fuga na sacralização do mundo. Com a falha dos Estados Perfeitos, sejam de direita ou de esquerda do século XX, o século XXI busca uma fuga nas religiões ou no submundo.  Apesar disso, a mistificação é um meio perigoso, pois algumas religiões tornam a idéia de decadência mais próxima. É o caso da teoria Iluminati. 


sábado, 9 de abril de 2011

O que mais falta acontecer no Rio de Janeiro!!!

Começamos o ano com a polícia subindo os morros cariocas, da Vila Cruzeiro de repente os bandidos fogem do Morro do Alemão, uma verdadeira guerra! O Estado tenta tomar o que é seu, não acabar com o tráfico necessariamente. Depois temos a maior tragédia natural da história do nosso país, a região serrana do Rio passa a ser o inferno na terra (mas parece que o Japão nos fez a mídia esquecer o desastre). Já nesta semana um ex-aluno de uma escola em Realengo entra no recinto e mata 13 estudantes entre 9 e 14 anos inocentes, que ainda estavam sendo moldados pela sociedade, logo, não tinham culpa de seus males. Tristeza, não consegui nem escrever no blog chocado imaginando a reação dos adolescentes correndo ensagüentados. A religiosidade dele me enojou.  Vítimas erradas, nunca ele poderia ter feito isto, miserável! No Congresso tem que até merecia, mas estudantes vitimas de hipocrisia dos políticos? É foda.
Depois de 3 tragédias em menos de 3 meses temos hoje a estréia de "Rio", tomara que o filme traga alguma alegria!


Obs: Falo do Rio de Janeiro do Brasil, e não do Rio de Janeiro mostrado pela Globo!

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...