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quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sérgio Buarque de Holanda: a cordialidade brasileira




Hoje completa 100 anos do nascimento do historiador Sérgio Buarque de Holanda, um dos maiores nomes da Sociologia e da Historiografia brasileira. Pai do cantor Chico Buarque, Sérgio Buarque se destaca juntamente com Gilberto Freire e Caio Prado Junior como um dos maiores intérpretes da sociedade brasileira pós-1930.
Sua principal obra, Raízes do Brasil, foi publicada em 1936 e representa para o Brasil uma séria discussão sobre seu caráter político. Destaca-se a ideia de que o brasileiro foi marcado desde a colonização pela cordialidade:

"A cordialidade....a lhaneza no trato, a hospitalidade, a generosidade, virtudes tão gabadas por estrangeiros que nos visitam, representam com efeito um traço definitivo do caráter brasileiro..." 

Esta mesma cordialidade é uma das mazelas da sociedade brasileira. Por se tratar sempre de tratamento cordial, principalmente na relação entre a população e os nobres, a sociedade brasileira se desenvolveu em favorecimento das classes dominantes, fato que foi criticado pelos comunistas e integralistas durante a publicação do livro. Daí a sociedade permitir a invasão do público pelo privado, fato que surgiu primeiramente com o poder dado as famílias que chegavam de Portugal.
Aqui entra o debate sobre o que é o público e o que é privado na consolidação política do Brasil. A maior contribuição de relevo para este debate veio da obra de Sérgio Buarque de Holanda. Para ele, a empresa colonial formada pela família patriarcal, propiciou “a invasão do público pelo privado, do Estado pela família”. (HOLANDA, 1995, p.82.) A família como empreendedor foi, assim como em Freyre, a base da formação político-social do Brasil. A ideia de Estado era a mesma de uma grande união familiar que dirigia uma grande empresa. Assim, a política e a economia determinaram o papel da família extensa:

O primeiro princípio da economia política é que o soberano de cada nação deve considerar-se como chefe ou cabeça de uma vasta família, e consequentemente amparar a todos que nela estão como seus filhos e cooperadores da geral felicidade.

Este modelo coloca a família no lugar do Estado, não sendo de se admirar que nosso Congresso possua tantas heranças familiais. 

         Vale salientar que para Holanda (1995, p.141), o Estado não era uma evolução da família como propunham os historiadores dos oitocentos, mas sim uma “descontinuidade” e até mesmo “uma oposição”. Isto devido a constante inter-relação entre público e privado. É com a transgressão do público pelo privado que o “empregado”, ou o sujeito que é classificado pela “amizade desigual”, passa a ser cidadão. Esse modelo de mudança que transforma a família patriarcal em família nuclear e, consequentemente, o poder familiar em poder do Estado, é resultado da expansão da produção industrial. Assim, o poder patriarcal com base rural perde poder com o crescimento das cidades, fruto das mudanças de trabalho. Temos assim, a família como “bárbara” em oposição ao Estado “civilizado”.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Bruxas brasileiras: religiosidade e perseguição




A mistura de diversas crenças no Brasil que sincronizava rituais indígenas, africanos e pagãos europeus foram perseguidos pela Igreja Católica durante o período da colonização portuguesa. Eram rituais amorosos, sacrifícios de animais, comunicação com espíritos e uso de plantas medicinais não oficiais. As mulheres praticantes destas crenças eram denominadas de feiticeiras ou bruxas.
A Inquisição não perseguiu consideravelmente estas bruxas, pois a instituição católica perseguiu mais cristão -novos - judeus cristianizados que diziam seguir as práticas da velha religião.
A fogueira não foi o principal destino destas bruxas tal como demonstra a tradição. Na verdade elas eram degredadas para África ou para o Brasil. Muitas bruxas condenadas em Portugal foram enviadas para a Ilha de Santa Catarina. Em 1747, o rei D. João V enviou 4.000 portugueses para colonizar a tal ilha. Entre estes 4.000 estavam as bruxas condenadas. Elas detinham prestígio entre os enviados por ser benzedeiras, curandeiras e parteiras. Tais práticas que hoje são mal vistos pela Igreja e pelo Estado era perseguidos pela Igreja Católica. Mas como as bricolagens - tal como afirma Certeau - são comuns em sociedades dominadas, estas bruxas sobreviver às perseguições dos dominantes.
Os mitos das bruxas que vieram para o Brasil narra a história de que se um casal tiver sete filhas mulheres sem ter nascido um único homem, a filha mais velha deve ser madrinha de batismo da mais nova. Caso não ocorra, umas delas passam a ser bruxas, se transformam em mariposa e sugam a vitalidade das crianças.
Mas do que personagens vítimas da Inquisição, as bruxas fazem parte da cultura popular brasileira e em muitos lugares ainda existem práticas que ocorreu no velho país.



quinta-feira, 21 de junho de 2012

Desconstrução do Populismo: concepções teóricas


                                            Jânio Quadros em campanha eleitoral 

Para o brasilianista Skidmore, o coronelismo se assentava “num sistema político manipulável” enquanto o populismo “pressupõe um sistema político aberto com resultados menos previsíveis”. Assim como colocamos o coronelismo como cultura política, o populismo também o é? O populismo a partir da análise conceitual, a priore, seria a continuação da cultura política mandonista que perpassa o patriarcalismo e o coronelismo. Ocorre que em termos conceituais, o populismo é um termo confuso: seria o personalismo dos políticos e a barganha dos votos num cenário urbano e industrial. Enquanto que nas regiões menos urbanizadas seria um novo sistema de controle entre dominantes e dominados.
Na historiografia brasileira, o conceito de populismo está intermediado com as condições da vida das classes trabalhadoras. Devido à falta de determinada consciência de classe das “massas”, recém-chegada no setor urbano, o Estado utilizou de práticas populistas para “manipular, cooptar e corromper os trabalhadores”. Ocorre que nas últimas décadas o conceito de populismo foi revisado e não se enquadrou no conceito de cultura política.
O historiador Jorge Ferreira divide a interpretação do populismo em duas gerações. A primeira geração abrangeu as décadas de 1950 e 1960. Neste período, o populismo foi explicado a partir da teoria da modernização. A inserção da América Latina no mundo moderno foi diferente da democracia liberal européia, o processo de urbanização e industrialização mobilizou as “classes populares” que buscaram maior representatividade política, o resultado foi o aparecimento de ditaduras militares e governos nacionais – influenciada por líderes manipuladores “das massas”. O populismo surgiu num período de transição da economia agro-exportadora para a economia industrial. A sociedade moderna se originou da formação da classe campesina que migrou para as cidades.
Destacam-se várias teorias sobre o populismo na primeira geração sugerida pelo(s):
·                O Grupo de Itatiaia: defendia a teoria da modernização com o surgimento de uma classe proletária sem consciência de classe liderada por um líder carismático.
·                O sociólogo Alberto Guerreiro Ramos: descreve o populismo como “doenças infantis do trabalhismo” de um “povo embrionário”. As doenças por ironia eram “o varguismo, o janguismo, o peleguismo e o expertismo”.
·                O sociólogo Luiz Werneck Viana: o populismo segundo este, numa “interpretação sociológica” surgiu a partir do individualismo de origens rurais que transformou a classe operária passiva perante o domínio do Estado.
A segunda geração analisou a relação entre o Estado e a sociedade com forte influência do marxismo. Assim se destacou nas discussões o conceito de ideologia. A principal questão era: como a ideologia influenciou a classe trabalhadora referente ao papel do Estado?   A resposta foi o advento por parte do Estado de uma “falsa consciência” que levou os trabalhadores a não se revoltarem contra o Estado. A maior influencia marxista foi de Antonio Gramsci, para esta geração, o poder repressivo e persuasivo[1] do Estado prevaleceu sobre as classes trabalhadoras dando origem ao populismo.
     A partir da década de 1980 o conceito de populismo foi substituído por uma análise vidrada no controle operário. O Estado utilizou de mecanismos racionais para controlar a classe operária. Mas com a recepção da história cultural no Brasil, percebe-se que este controle era ilimitado, pois a classe operária possuía vida própria. Assim, observou-se que nenhum Estado tinha domínio totalitário sobre as “massas”, pois existiam relações mais complexas entre dominantes e dominados.   
Concordamos com Ferreira quando este nega que o Estado transformou a sociedade em elemento passivo perante a dominação e a repressão. Para ele:

A sociedade em si mesma não era tão “boa” e isenta de culpas, e que nela circulavam preconceitos contra judeus; manifestaram-se rancores contra alemães e japoneses, sobretudo durante a Segunda Guerra Mundial; existiam pessoas com horror dos comunistas ou dos integralistas; encontravam-se alguns que queriam punir o comerciante da esquina desmedido em seus lucros; havia outras que desejavam livrar-se das dívidas com agiota – e, em alguns casos, mais raros, do próprio marido. (...) Em outras palavras, as relações entre Estado e sociedade não eram de mão única, de cima para baixo, mas sim, de interlocução, de cumplicidade.

            Ao se retirar a interpretação maniqueísta entre o Estado e a sociedade, o conceito de populismo perde sentido. A partir da década de 1990, o conceito estava em colapso devido à introdução no Brasil de teorias advindas da História Cultural[2] e da História Social. Houve também a interpretação baseada na idéia de que a consciência de classe forma-se independente da relação com a classe dominante. Teoria atribuída ao historiador inglês E.P. Thompson:
Se determos a história num determinado ponto, não há classes, mas simplesmente uma multidão de indivíduos com um amontoado de experiências. Mas se examinarmos esses homens durante um período adequado de mudanças sócias, observaremos padrões em suas relações, suas idéias e instituições. A classe é definida pelos homens enquanto vivem sua própria história e, ao final, esta é a sua única definição.

            Assim, a partir desta interpretação relativa à idéia de “classe”, entendemos o populismo como pouco elucidativo para explicação da relação política entre o Estado e a sociedade. Não houve uma dominação ideológica entre o Estado e a classe operária, mas sim, troca de interesses. Logo o populismo não é um poder absoluto e totalitário, já que existem os valores, as crenças, os mitos e as tradições de determinada sociedade, que ora denominamos de cultura política. 
                           Adhemar de Barros, o 1° grande "populista", governador de São Paulo


[1] A partir da propaganda do governo e da doutrinação política.
[2] Destaca-se a idéia de “circularidade cultural” de Ginzburg do qual as idéias “circulam” entre a cultura popular e a cultura erudita e a idéia de apropriação e resignificação das mensagens dos dominantes discutida por Chartier.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

O interventor Gratuliano Brito e a Revolução Constitucionalista




Gratuliano Brito assumiu a interventoria com dois grandiosos obstáculos: a seca de1932 que assolava inclusive sua terra natal e a ameaça da Revolução Constitucionalista em São Paulo. Assim, o discurso revolucionário esteve presente em quase todas as páginas do jornal A União, durante seus dois primeiros meses. Gratuliano demonstrou ser um bom orador e sempre trouxe à tona o “espírito” de João Pessoa nas horas de atribulações.
            Em julho de 1932, dias depois de Gratuliano Brito assumir a interventoria da Paraíba, estourou em São Paulo a Revolução Constitucionalista liderada pelos antigos oligarcas paulistas que perderam privilégios durante o Movimento de 1930.  Durante a “Revolução”o Partido Democrático era rival do Partido Republicano Paulista (PRP) encabeçada por Júlio Prestes. O Partido Democrático apoiou Vargas no Movimento de 1930 e esperava receber deste os mesmos privilégios que tinham o PRP na República Velha, fato que não aconteceu. Além disto, eles estavam insatisfeitos com a presença do interventor pernambucano João Alberto, devido ao fato deste ser “forasteiro”. Ainda compunham a oposição paulista a Vargas, os cafeicultores e militares descontente com o privilégio dos tenentes.  
            Para amenizar a crise política com São Paulo Vargas lançou um Novo Código Eleitoral e um decreto marcando as eleições para 3 de maio de 1933. Ao mesmo que nomeou um interventor paulista e civil, Pedro de Toledo. Mas como afirma Skidmore (1932, p.37):

O Estado e a cidade de São Paulo tinham um tal complexo de superioridade em relação ao resto do Brasil que um movimento de oposição ao govêrno federal poderia ganhar muitos adeptos que nada tinham de comum, além da sua apaixonada qualificação como paulistas.

Em 9 de julho de 1932 São Paulo iniciou a revolta que ficou conhecido como Revolução Constituição. Vargas detinha grande apoio militar, com exceção de alguns quartéis do Mato Grosso. Além do mais, ele teve a colaboração dos soldados dos Estados que participaram mais ativamente no Movimento de 1930. São Paulo foi cercada pelo Rio Grande do Sul ao sul e por Minas Gerais e os estados nordestinos ao Norte, incluindo as forças militares da Paraíba, motivo de reavivamento do discurso “revolucionário” dos aliancistas.
            Quando Gratuliano Brito soube da Revolução Constitucionalista de 1932, estava em Cajazeiras, cidade do alto sertão paraibano. Este recebeu um telegrama do Ministro Francisco Campos, que descrevia a revolta no Estado do Mato Grosso. Imediatamente, Gratuliano respondeu o telegrama e notificou o retorno para a capital, para prestar apoio ao governo central[1]. O espírito revolucionário de 1930 tinha retornado no discurso dos “aliancistas”. Como retorno da tensão dos 70 dias antecedentes do Movimento de 1930, a Paraíba se viu num verdadeiro campo de batalha.
            Gratuliano, jovem interventor e que teve grande apreço pela “Revolução”, trocava constantemente telegramas com o interventor Flôres da Cunha do Rio Grande do Sul, relembravam os tempos gloriosos da vitória de outubro e incentivavam a soldadesca a salvar a República[2]. Dois discursos foram publicados por Gratuliano Brito de incentivo aos soldados que marchavam para São Paulo. Nota-se que em ambos os discursos, “a Revolução” de 1930 era a garantia de vitória das tropas.[3] A semana de envio das tropas era uma semana de “co-memorações” em relação a morte de João Pessoa e ao dia do Nego. Assim, os primeiros dias do Governo de Gratuliano Brito foram conturbados e voltados diretamente contra a Revolução Constitucionalista.


[1]A UNIÃO, 12 de jul. 1932, p.1.
[2]A UNIÃO, 18 de jul. 1932, p.1.
[3] “Marchae soldados da Parahyba, que a victoria é certa. Só tenho duas coisas a pedir-vos; no aceso do combate, lembrae-vos de que antes de tudo sois parahybanos e que o espírito de João Pessoa paira por sobre vossas cabeças, iluminando as vossas trincheiras e abençoando a vossa bravura”. A UNIÃO, 21,jul,1932.p1. No dia do Nego, Gratuliano publicou o seguinte discurso: “Vede bem; não combatemos São Paulo e sim meia dúzia de políticos oportunistas que, abusando da irreflexão de uma mocidade civil e militar, culta e vibrátil, desencadeia uma lucta fratricida e fica nos gabinetes para usufruir depois os proventos do seu plano. Marchae, soldados da Parahyba, que a victória é certa”. A UNIÃO, 29 de jul,1932,p.1. 


quarta-feira, 2 de maio de 2012

Freyre e Post: Maravilhoso e Realidade no cotidiano colonial

O açúcar: monocultura implantada por Portugal no século XVI que foi tema freqüente da Obra de Post e tema principal para o livro Nordeste de Gilberto Freyre, foi o produto que formou a sociedade brasileira. Frans Post indicou o Maravilho, Gilberto Freyre mostrou o seu papel na formação social do povo brasileiro. Maravilhoso porque tudo aquilo que impressiona a visão é chamado de Maravilhoso, logo a harmonia dos bichos “estranhos” e da paz nos engenhos impressiona a visão. Dentro deste universo ocorreu a gestação da sociedade brasileira como explica Gilberto Freyre na sua Obra Casa-Grande & Senzala através da miscigenação. Uma terra usada para a economia de exportação, que deixava claro a hierarquização, afastando os grupos e ao mesmo tempo os unindo através da solidão dessas terras longínquas (tendo como base a Europa).

            A figura apresenta uma das paisagens de engenho de Post. Nela apresenta-se a estrutura apresentada por Freyre do qual iremos descrever. Ao fundo se encontra a Igreja, logo na frente temos a Casa-Grande e em sua frente o engenho onde os escravos trabalham harmoniosamente. Posição que lembra as três ordens sociais do feudalismo europeu, a Igreja acima em constante contato com Deus, a Casa-Grande que interliga Deus aos “servos”, que neste caso são os índios e os afros. Três classes separadas, em constante briga. Os jesuítas não se davam bem com os senhores de engenho; um visava o mundo espiritual e o outro o mundo econômico e dentro desse jogo se encontrava a massa trabalhadora.
            Até que ponto vai à realidade na figura acima? Percebe-se que dentro da mata há uma cobra, aves e um animal exótico. Provavelmente eles não deveriam estar ali. O que Post gravou estava em seu imaginário, por isto que esta pintura pode ser considerada como uma fonte iconográfica do maravilhoso colonial. Enquanto a realidade, os homens trabalhando, as estruturas arquitetônicas, o rio e o que poderia ser por detrás da mata... uma casa de farinha ou até mesmo a senzala são formas concretas da vida colonial.
            Logo se observa que há poderes na figura. O poder do senhor de engenho, nem totalmente um senhor feudal e nem um capitalista, mas sim um poder intermediário, em construção. Para Gilberto Freyre foi o regime da economia patriarcal. O senhor patriarcal que controlava a monocultura latifundiária, o açúcar como ouro, e para seu trabalho explorava os negros e os índios. Era um mundo de exploração. A Casa-Grande passou a ser o centro administrativo, mas ao mesmo tempo em que ela separava, ela unia como diz Freire no Prefácio à 1º edição de Casa Grande & Senzala:

             “Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria (...) foi também banco”. (Casa-Grande & Senzala. Global editora. Pg. 40).
           
            A Casa-Grande também foi símbolo de união. Como Freire diz acima, a casa-grande cumpriu vários papéis sociais que uniam as pessoas.  União esta que como diz Freire, escravos entravam em direto contato com o senhor, principalmente as escravas negras. Faltava mulher branca na colônia, nos momentos de carência eram as negras que os senhores recorriam e os filhos gerados dessa união tornavam-se novos escravos. Se fosse ao caso concreto da miscigenação neste trabalho, o mais recomendado seria as pinturas etnográficas de Albert Eckhout como retratou Pesavento em um de seus artigos publicados. Ao olhar para uma pintura de Post, observa-se o cotidiano que se circulava entre a Casa-Grande, a Igreja e o Engenho.
            O senhor era o dono do poder, suas casas eram feias, mas ao mesmo tempo forte contemplando o seu poderio, se medimos o seu poder ele vai da Igreja ao simples escravo. Foi esse ser senhorial que foi o verdadeiro dono da construção do Brasil. Da Casa-Grande à Senzala.
           
A Senzala por si foi o centro de alojamento da mão-de-obra açucareira e sua mesclagem com a Casa-Grande resultou no alicerce nativista. Essa mesclagem forneceu a roupagem para a economia (monocultura), o transporte (o carro- de- boi e o cavalo), para a religião (catolicismo patriarcal), o sexo (poligamia) e para os diversos papeis que a Casa-Grande oferecia. A semente foi plantada... E a partir desses valores estava o nascimento do Brasil.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Baixar - O Tempo Saquarema de Ilmar Rohloff de Mattos

O livro foi resultado da tese de doutorado de Ilmar Rohloff de Mattos defendido em 1985 no departamento de História da FFLCH da Usp. Obra utilizada nas aulas de História do Brasil, O Tempo Saquarema narra a história do Império como formação de uma classe específica denominada Saquarema que do Rio de Janeiro delineou os caminhos da "futura nação brasileira". O livro mostra como esta classe dominante guiou a formação do Estado a partir de seus interesses econômicos. Leitura difícil e cativante, narra um período da história do Brasil em que os princípios modernos da Europa era destinado apenas ao favorecimento das elites agrárias. Obra esgotada!!! Disponível em PDF!!!!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Sete Povos das Missões: conquistas no sul da América

A Companhia de Jesus teve como uma das características se adaptar a costumes e levar a "moral cristã" européia aos diversos lugares do planeta, do Japão ao sul de uma terra que não era nem espanhola e nem brasileira, na América do Sul. Trata-se da região denomida de Sete Povos das Missões antes das guerras entre Espanha e Portugal no século XVIII.
A região, pouco estudada nos livros didáticos foi palco de um mini-Estado teocrático que teve uma boa vida economica, política e cultural. Os jesuítas tinham como fim formar uma "democracia cristã" na América em retaliação ao alastramento do protestantismo na Europa, no caso do sul do América tratava-se da catequização dos índios guaranís. As missões tinham por fim aldear os índios e os catequizar.

Ruínas da Missão de São Miguel - RS

Os Sete povos eram:

§  São Nicolau, fundada em 1626 pelo padre Roque Gonzalez de Santa Cruz e reinstalada em 1687 pelo padre Anselmo de la Matta
§  São Miguel Arcanjo, fundada pelo padre Cristóvão de Mendoza em 1632 e reinstalada em 1687 pelo padre Anton Sepp
§  São Francisco de Borja, fundada em 1682 pelo padre Francisco Garcia de Prada
§  São Luiz Gonzaga, fundada em 1687 pelo padre Miguel Fernández
§  São Lourenço Mártir, fundada em 1690 pelo padre Bernardo de la Vega
§  São João Batista, fundada em 1697 pelo padre Anton Sepp
§  Santo Ângelo Custódio, fundada em 1706 pelo padre Diego Haze


Vale salientar que as Missões foram a recolonização da região, pois a área já possuia missões espanholas que denominava-se Reduções do Tape. A recolonização teve como princípio o reaproveitamento dos rebanhos de gado que eram abudantes na região.
As missões chegaram a ter 30 mil habitantes e seu desenvolvimento foi barrado pelo Tratado de Madri em 1750. No tratado os índios e os jesuítas deveriam ser transferidos para terras espanholas. Revoltados, estes passaram a combater os espanhóis e portugueses na Guerra Guaranítica (1754-1756). Como estavam cercados pelo sul (espanhóis) e pelo norte (portugueses), estes acabaram por ser derrotados.
Ao final da guerra, Portugal tomou posse da região, dando fim aos Sete Povos das Missões. Destaca-se neste conflito a influencia dos jesuítas sobre os índios que foram os defensores das missões. Ficou famoso o índio Sepé Tiarajú, considero hoje herói nacional.
Um dos povoados mais antigos das missões foi o que originou a cidade de São Borja que veremos sua história nos próximos posts.
 Sepé Tiaraju

domingo, 18 de setembro de 2011

Três bons livros de História do Brasil!

Quando comecei o curso de História, só gostava de Grécia e Roma, mas alguns livros me fizeram gostar de História do Brasil. Destaco três:

O Primeiro foi Casa-Grande e Senzala de Gilberto Freyre. Apesar de  ser um clássico da sociologia, ele é um livro genial que aborda a formação social brasileira a partir das miscibilidade e da aclimatabilidade. Além disto, trabalha com a formação da família colonial - com a ideia de família extensa. É um livro "gostoso" de se ler.
O segundo foi "O Tempo Saquarema" de Ilmar Rohloff de Mattos. Livro da P...Explica como a elite brasileira se readaptou no poder durante a Independência até o II Império, assim como aborda as mudanças das relações sociais no momento da formação do Estado Brasileiro!

Por último apresento "O homem que inventou a ditadura no Brasil" de Décio Freitas. Tem muita gente que pode criticar este livro, "pô, isto não é história", mas li este livro numa disciplina de História no Mestrado, e ele é muito bom. Conta a história da Revolução Federalista vista por um jornalista inglês. Mostra o caráter de Júlio de Castilhos e como este positivista transformou o RGS numa escola de ditadores. Muito bom.


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