quinta-feira, 3 de setembro de 2015

A Enciclopédia da Ilustração no Brasil

A editora Unesp - uma das melhores atualmente - publica neste mês em cinco volumes a enciclopédia que revolucionou o mundo durante o século XVIII. Com o nome "Enciclopédia ou Dicionário Razoado das Ciências, das Artes e dos Ofícios", a obra revolucionou o mundo Ocidental ao criticar o absolutismo e o fanatismo. Os volumes estão organizados de acordo com as seguintes questões:

Volume 1 - Discurso preliminar e outros textos.
Volume 2 - O sistema dos conhecimentos
Volume 3 - Ciências da Natureza
Volume 4 - Política
Volume 5 - Sociedade e artes 

A Encyclopédie foi organizada pelos filósofos Denis Diderot e Jean le Rond d´Alembert e teve a participação de diversos pensadores tais como Rousseau, Voltaire, Turgot e Montesquieu. O impacto da obra fez com que os organizados fossem perseguidos pela coroa francesa e pela Igreja. A intenção primordial foi reunir em publicações todo o conhecimento dado pela Razão ao Homem. Assim, a Enciclopédia ficou dividida por três categorias - Memória/História; Razão/Filosofia; Imaginação/Poesia. Na coleção da Unesp estarão disponíveis 298 verbetes de 37 autores. A organização foi dirigida pelos professores Maria das Graças de Souza e Pedro Paulo Pimenta. Cada livro custará em torno de 78,00 reais. Vale cada centavo ter uma obra tão revolucionária em sua estante de livros.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Da História à Filosofia

Após encerrar o mestrado e defender a dissertação sobre Oligarquias e Cultura Política, fui me afastando do tema que tanto tempo dediquei e me reaproximei daquilo que REALMENTE gostava de estudar no curso de História: a crise da modernidade. Hoje compreendo que a crise é inata a própria história da sociedade ocidental e que existe por trás da linearidade (e também da circularidade) da História duas dialéticas que buscam resolver os problemas da nossa existência. A primeira dialética é aquela exposta por Marx baseada na luta de classes, a segunda teve origem na crise das cidades-estados da Grécia Antiga, que seria a dialética entre a moral e a política ou, o foro interior e o foro exterior. Vale salientar que a política ficou impregnada em mim, não para fazer de meu ser um pesquisador, mas sim para "teorizar" a crise política. Ora, Teoria é uma constatação racional de um sistema científico que busca estruturar um objeto, mas ao me perguntar se o mundo ocidental está em crise, meu objeto passou a ser definido para além do empírico, ou seja, de maneira puramente racional. Ao racionalizar a crise, acabo entrando em outra esfera de conhecimento que não é científico, mas sim filosófico. Aqui me deparo com um problema enorme que é utilizar um método de racionalizar que dialoga com a História e a Filosofia da História. Do positivismo histórico para cá, a História buscou se livrar da Filosofia, mas no meu entendimento, quando um estudante de História pergunta "o que é história", este já está fazendo uma pergunta filosófica. Não há como fugir. Assim, pode parecer retrocesso (para os pragmáticos), mais em vez de me preparar para um doutorado em História, comecei a cursar uma graduação em Filosofia justamente para me aprofundar na Teoria (Filosofia) da História. Nestes dois anos de cursos, andei por terras que jamais como pesquisador andaria. Conversei com Hanna Arent e Pierre Bourdieu sobre a condução humana, devaneei nos bosques de Paris com Rousseau, visitei os lares dos proletariados em Manchester com Engels, deixei de ser ateu com Kant e busquei ser autônomo ao conversar com Nietzsche. Dessa maneira, apesar dos pesares e das ilusões perdidas, estou satisfeito com meus estudos. Espero contribuir, daqui das montanhas, como vocês do centro do mundo estão caminhando para uma catástrofe que não pode ser pesquisada só pelos métodos das ciências sociais e da historiografia, mas ser racionalizada por toda forma de conhecimento possível.      

Reformulação

Depois de um bom tempo parado sem escrever, resolvi retornar ao à escrita do blog. Passei uns anos preguiçosos só obstinado na leitura e nada de escrita. Li de tudo um pouco: Marx, Mészaros, Martin e só para ficar nos M. Mas mal comentei o que li. O blog também serve como um arquivo histórico para a construção metodológica do escritor e também para guardar seus problemas e questionamentos. Da História estou me enveredando na Filosofia, na Literatura, entre outros ramos do conhecimento que me dão prazer. Hoje estou mais caduco em relação a uma Teoria da História que não nega seu teor filosófico. O mundo mudou e a gente vai mudando com ele. Só percebemos a mudança quando lemos algo que escrevemos a 3 anos atrás. É nesta perspectiva que retorno ao meu querido amigo blog - que sofreu com o abandono devido as redes sociais - com o intuito de escrever e me ler daqui a uns três anos e simultaneamente não deixar o que eu apreendo dentro de mim.  Espero que seja o primeiro de vários artigos semanais e que a preguiça corra longe. 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Maze Runner: Correr ou morrer... Um livro sobre liberdade (ou a falta dela)



Maze Runner: Correr ou morrer é o primeiro livro de uma série escrita pelo americano James Dashner. Trata-se de literatura infanto-juvenil, mas que atraiu a atenção de muitos adultos no mundo todo. 
A Palavra Utopia significa lugar nenhum e é isto que Maze Runner é. Até onde me lembro, nunca tinha lido um livro com um começo tão misterioso quanto este, tanto... que qualquer coisa eu possa descrever deste livro passa a ser spoiler. Um garoto aparece dentro de uma gaiola num mundo totalmente estranho rodeado por adolescentes que o chamam de trolho e cara de mértila. A partir daqui não posso falar mais nada...
Em geral adorei a narrativa e o li em três dias. Trata-se de uma realidade alternativa (ou distopia). Um ambiente que apresenta uma organização social eficiente, mas que carrega em seu bojo o sentimento da falta de liberdade. Presos numa clareira localizada no centro de um enorme Labirinto, os jovens tiveram que aprender a sobreviver sobre regras fortíssimas, mas o que eles não esperavam era a mudança. Tudo muda com o tempo, só que a mudança descrita no livro foi drástica e força o grupo a quebrar suas regras. A cada quebra de regras uma novidade, e aquilo que parecia ser (que nem a caverna de Platão), deixa de ser.
A Liberdade (a liberdade é uma jaula mais espaçosa) é um dos temas que pode ser trabalhado com o livro. Nos dá a sensação de que aquilo é a nossa vida. Fomos colocados na Terra sem lembrança de nada sobre o universo e tivemos que aprender a sobreviver a partir de regras sociais, não estamos acostumados a mudanças e quando elas acontecem, nos desesperamos. Outra pergunta que nos faz pensar: se tudo está em ordem para que mudar? O livro traz uma resposta - mudar para conhecer... conhecer para ser livre... Daí o conhecimento - que aparece como mistério do Labirinto - lembra muito a ideia de Aristóteles sobre a felicidade, apenas o conhecimento pode nos fazer felizes. O livro deixa essa dúvida do qual poderemos ter uma resposta concreta ao ler a Prova de Fogo, continuação da série.
O livro é muito bom e em nenhum momento cansa o leitor. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Catástrofe: a Primeira Guerra Mundial


Leitura tão demorada quanto a guerra.
Senti necessidade de ler algo sobre a Primeira Guerra Mundial nestes 100 anos de rememoração. Fiquei na dúvida se lia "A Beleza e a Dor" de Peter Englund ou o "Horror da Guerra" de Niall Ferguson. Mas os dois me desencantava... O primeiro por se tratar de história das sensibilidades e o segundo porque li um livro de Ferguson e notei que não tinha tirado tanto proveito. No começo do mês me deparei com este livro na Livraria Saraiva e resolvi compra-lo. Muito bem ilustrado, com mapas, uma belíssima capa e uma vontade de ler enorme, já que o livro demonstrou ser muito elogiado-resolvi compra-lo por uns 50 reais.

Comecei a leitura querendo ler tudo em quatro dias, passei quase 15. Assim como a Primeira Guerra, o livro ultrapassou minhas expectativas de tempo de leitura. O Max Hastings é mais um jornalista curioso do que um historiador jornalista. O começo do livro foi encantador, nos cerca da atmosfera de nacionalismos, paixões e burrices políticas de todos os países participantes. Inicialmente ele me prendeu, na preparação e nas batalhas sua narrativa era impecável (de acordo com uma linguagem jornalistica e não historiográfica). Mas batalhas, estrategias e novamente batalhas me levaram ao cansaço. As vezes até me perdia na leitura e tinha que voltar um parágrafo para ler de novo. Cheguei a pensar que o livro não terminaria nunca. O mais proveitoso (se eu soubesse antes teria lido "A Beleza e a Dor") foi o cotidiano da guerra: cartas, histórias, mortes, sobrevivência de feridos, abates de batalhões inteiros. Ele não focou apenas na História Militar (que era as partes mais chatas do livro), mas em toda repercussão que os vários fronts traziam para dentro e fora da guerra.

Esperava mais, mas não me arrependo de te-lo lido.

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